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Metade dos portugueses nunca fez o teste do VIH

A propósito da Semana Europeia do Teste VIH-Hepatites, que está a decorrer por todo o país, e do Dia Mundial de Luta Contra a Sida, que será assinalado a 1 de dezembro, o Expresso realizou uma sondagem

O vírus da imunodeficiência humana (VIH) é uma infeção que, se identificada e tratada a tempo, não chegará a evoluir para a síndrome da imunodeficiência adquirida (sida). Contudo, uma sondagem realizada pelo Expresso a mil pessoas residentes nas cinco regiões do continente português revela que um em dois inquiridos nunca fez o teste do VIH e que dois em três não controlam se estão ou não infetados.

Este é um dado “muito preocupante” para Ricardo Fernandes, o diretor executivo da associação GAT (Grupo de Ativistas em Tratamentos) e porta-voz da Semana Europeia do Teste VIH-Hepatites, uma iniciativa que está a decorrer precisamente por estes dias em dezenas de locais espalhados de norte a sul do país. “Todas as pessoas que têm comportamentos de risco, como sexo sem preservativo ou partilha de seringas, devem fazer o teste”, alerta.

É SÓ UMA PICADA
O teste é gratuito, anónimo, confidencial e nem precisa de ser feito esta semana. Basta aceder a www.redederastreio.pt para saber o local mais próximo onde o poderá realizar quando assim o entender. “É uma picada, como o teste da glicémia, e passados 20 minutos sabe logo o resultado.” Para quem não tem medo do teste, mas dos eventuais tratamentos, Ricardo Fernandes deixa um incentivo: “Como no caso do cancro, quanto mais cedo o apanhar, melhor é o prognóstico. No VIH, os tratamentos evoluíram muito e têm menos efeitos secundários, bastando, em muitos casos, um comprimido por dia. No caso da hepatite C, está curado passado oito semanas.”

Ricardo Fernandes foi um dos oradores do debate promovido pelo Expresso e pela farmacêutica Gilead, na passada quinta-feira, a propósito da Semana Europeia do Teste VIH-Hepatites. É uma semana crucial para consciencializar todos os cidadãos para a importância do rastreio, já que, pelo menos um em cada quatro dos cerca de 1,2 milhões que se estima viverem com o HIV na Europa, ainda não sabe que é seropositivo.

O debate está disponível no Facebook do Expresso e contou com a presença da porta-voz do PS, Maria Antónia Almeida Santos, do porta-voz do PSD para a Saúde, Ricardo Baptista Leite, além de outros dois peritos que alertaram para a importância do rastreio.

Guilherme Macedo, diretor do serviço de gastrenterologia do Centro Hospitalar São João, aproveitou para instar o país a usar a mesma estratégia dos EUA e a rastrear os veteranos de guerra e os baby boomers nascidos entre 1945 e 1965. É que se os americanos tiveram o summer of love, o flower power e a guerra do Vietname, os portugueses tiveram a Revolução dos Cravos, a Primavera de Abril e a Guerra do Ultramar.

Isabel Aldir, diretora do Programa Nacional para a Infeção VIH e Sida e do programa para a área das hepatites virais, alertou que os esforços têm de ser mantidos e até aumentados, seja no diagnóstico, na referenciação, na retenção destas pessoas nos cuidados de saúde ou na luta contra o estigma. “Ao tratarmos estas pessoas, além da mais-valia que é para o próprio pô-lo com uma esperança de vida muito próxima da população em geral, estamos também a contribuir para o fim da epidemia.” E acrescentou: “Se queremos, de facto, interromper a transmissão destas doenças e evitar novas infeções, temos de fortalecer todos os esforços que temos vindo a desenvolver em termos de prevenção, controlo, referenciação e diagnóstico (…) Testar, tratar, prevenir. Vamos a isso.”

UMA SONDAGEM A NÃO PERDER
Os resultados da sondagem Expresso/GFK sobre o vírus da imunodeficiência humana (VIH) em Portugal revelam que 46% dos inquiridos nunca fizeram sequer o teste para saberem se portam ou não o vírus que está na origem da síndroma da imunodeficiência adquirida (sida).

Somando estes 46% que responderam nunca terem feito o teste aos 15% que revelaram só raramente o fazerem e aos 3% que não sabem ou não respondem a esta pergunta, a conclusão é que mais de três em cada cinco inquiridos não controlam se têm ou não o vírus.

Nem um terço dos inquiridos (32%) respondeu fazer o teste do VIH quando faz análises e apenas 5% afirmaram que fazem o teste regularmente e sobretudo se tiverem novos parceiros. Este é apenas um dos muitos resultados da sondagem Expresso/GFK, que, nas últimas semanas, inquiriu um milhar de portugueses nas cinco regiões do continente para saber mais sobre os seus comportamentos, atitudes e opiniões perante o VIH.

Todos os resultados serão publicados na próxima edição do semanário Expresso, a 1 de dezembro, por ocasião do Dia Mundial da Luta Contra a Sida. (Expresso)

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