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Sistema de saúde falido: Jovem angolano à beira da morte clama por ajuda

Num post divulgado na sua página do Facebook, Luaty Beirão, lembra que, em Agosto do ano corrente, depois de se aperceber de um esforço feito pelo Joaquim Namassali Inho na divulgação do caso do Manico e de o partilhar, sugeriu ao MCK que, na passagem por Lobito, “lhe fizéssemos uma visita para tentar dar visibilidade e sentido de urgência na busca de uma solução (se a houvesse) para este jovem”, escreve o rapper e activista.

“Fizemos um pequeno vídeo, depois o Fala Angola (TV Zimbo) fez também uma peça sobre o caso e, de repente, após um ano e dois meses a engonhar, o Hospital Geral de Benguela, passou uma guia de transferência para o rapaz vir se tratar em Luanda, no Josina Machel, no início de Setembro”.

Ao visitá-lo, escreve, Luaty, “quisemos falar com o médico que nos indicaram ser responsável pelo seu processo, Dr. Leonel, e que tínhamos sorte, pois ele aparecia apenas uma a duas vezes por semana, mas naquele exato momento estava ali”, lembra.

“Aguardámos que atendesse todos os que estavam à sua espera e depois ele, atencioso, recebeu-nos e deu-nos uma longa explicação técnica acerca do estado do tumor do Manico. Quando indagámos acerca da capacidade real de reverter a situação e salvar o rapaz, se havia solução, se a havia em Angola, tranquilizou-nos afirmando categoricamente que com apenas 5 sessões de radioterapia estancava-se e secava-se o tumor, seguindo depois para a cirurgia maxilofacial para reconstrução da mandíbula. Que as únicas reservas que tinha prendiam-se com a eficácia desta segunda fase porque a pele dos albinos tem elevada probabilidade de “reagir mal” a enxertos, mas que a progressão do carcinoma, essa, seria estancada”, disse.

(DR)

“Quando liguei para a mãe a meados de Outubro e ela me informou que o Manico tinha sido devolvido para Benguela, ainda pensei que já tinha ido com todo o tratamento feito. Não era o caso. O boletim de consultas mostra que ele teve 6 consultas cujos códigos tenho estado a identificar com amigos médicos, mesmo não sendo eles da área de oncologia e não parecem casar com o anunciado”, lamentou.

1 consulta de cirurgia (CIR)
1 consulta de CC (código por decifrar)
1 consulta de psicologia
1 consulta (não sessão) de oncologia (quimioterapia-QT)
1 consulta (não sessão) de radioterapia (RDT)
1 consulta cujo código é impercetível

(DR)

Finalmente, continua, uma requisição de raio-x por preencher, um papel manuscrito pelo Dr. Leonel com um pré-diagnóstico indicando que o tratamento devia ser feito com recurso a radioterapia e, após um mês e meio internado e sendo visto apenas por 6 vezes, uma guia de transferência para o Hospital Geral de Benguela, com a indicação de tratamento meramente paliativo, já não radiante. É tudo o que consta no processo clínico que lhe foi entregue ao sair de Luanda.

“Nesse período que durou o seu internamento em Luanda, ficámos sem saber que exames (biópsias, exames citoquímicos, exames imagiológicos) concretos foram feitos para determinar exatamente que tipo de tumor e em que fase de disseminação se encontra. Manico está fragilizado e não tem como sair do alto do morro da Boa Esperança/Bela Vista para o Hospital de Benguela, uma viagem de 40 minutos, para ir fazer tratamentos paliativos”.

(DR)

– Cuidados paliativos não podem ser só uma forma de dizer: “o doente vai morrer”. A forma como se morre diz muito sobre a realidade de um sistema de saúde. Manico, ainda que tenha uma doença intratável merecia cuidado, atenção, esmero, empatia. Cuidados Paliativos deviam significar cuidados humanizados e não apenas ser um eufemismo para dizer caso sem solução, a ser empurrado para longe.

“A transferência do Manico foi feita de carro, uma viagem com duração superior a 13 horas. O descaso, a desumanização no setor da saúde agravada pelas deploráveis condições de trabalho do sistema, turnos duplos, salários em atraso, culminam em tragédias deste tipo”.

O activista diz que “Manico vai morrer, não porque o seu caso não tivesse solução, mas porque não valia o esforço. Mais uma vítima dos implacáveis marimbondos e do rol de horrores que as suas práticas promovem na sociedade”, lê-se.

(DR)

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