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Governo de Benguela proíbe fábrica de adubos em área residencial e académica

Pedreiros pensavam que se tratava do ‘Candando’ de Isabel dos Santos, mas empreiteiro não confirma nem desmente

A Administração Municipal de Benguela, em Angola, embargou uma obra de empresários estrangeiros associados a altas figuras do regime angolano, em curso há seis meses, devido a alterações que colidem com o plano director do município, disse à VOA fonte do Governo Provincial.

A licença é para uma superfície comercial no bairro da Graça, mas os promotores incluíram uma fábrica de adubos e fertilizantes, que as autoridades tencionam transferir para uma zona industrial, afastada das comunidades e da universidade ali existente.

A estrutura metálica foi instalada há mais de três anos, quando os 35 trabalhadores, hoje de braços cruzados devido ao embargo decretado na sexta-feira, 16, tinham a expectativa de trabalhar para a expansão de um negócio da empresária Isabel dos Santos.

Um pedreiro que optou pelo anonimato revelou à VOA que a alteração do projecto despertou as autoridades locais.

“Mesmo quando começamos aqui, pensamos que fosse o ‘Candando’. Agora estão a fazer um documento a dizer que será indústria, já não será o super-mercado. Também o director da universidade esteve aqui a reclamar, a dizer que a fábrica vai criar poluição”, disse o pedreiro.

Ao lado, um membro do grupo de cidadãos indianos que executam a empreitada, que também não se identificou, não confirmou nem desmentiu que antes tudo estaria encaminhado para um ‘Candando’, tendo realçado, em poucas palavras, que o regresso ao trabalho depende do Governo.

“Isso vai ser fábrica, mas o senhor governador esteve aqui e mandou parar”, diz o construtor.

Evocando o Plano Director Municipal, fonte do Governo Provincial, que acompanhou uma recente visita do vice-governador para a área técnica, Leopoldo Muhongo, diz que a fábrica deverá ser transferida, já que os químicos a aplicar são perigosos os moradores da área e para a comunidade académica.

Os Serviços Técnicos da Administração Municipal de Benguela não quiseram prestar declarações. (VOA)

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