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Empréstimos a Angola já não são “free money” como na era JES: “Até a China quer saber para onde vai o dinheiro”, diz analista

O director para África do Instituto Real de Relações Internacionais britânico (Chatham House), Alex Vines, alertou para a necessidade de Angola procurar fontes de financiamento que não tenham o petróleo como moeda de troca, e lembrou que os novos empréstimos já não são um “cheque em branco”.

Se na era de José Eduardo dos Santos os empréstimos atribuídos a Angola dispensavam perguntas, ancorados na “sedução” do petróleo, agora até a China quer saber para onde vai o dinheiro, aponta o director para África do Instituto Real de Relações Internacionais britânico (Chatham House), Alex Vines.

O analista assinala que a desvalorização do petróleo fez com que deixasse de ser uma moeda de troca suficiente, obrigando o país a buscar novas fontes de financiamento.

“Não há muito espaço para os empréstimos financiados pelo petróleo. Para além dos dois mil milhões de dólares da China não há muito mais, e por isso o Governo precisou de ir aos mercados financeiros internacionais”, diz Alex Vines, falando em Lisboa, na conferência “Angola: Que mudança?”, organizada pela UCCLA – A União das Cidades Capitais Luso-Afro-Américo-Asiáticas e pelo Clube de Lisboa.

O académico britânico acrescenta que para além de estar obrigada a procurar novas fontes de financiamento, Angola está condionada às novas exigências.

Segundo o director para África da Chatham House, até os chineses “estão a fazer perguntas sobre onde e para que vai servir o dinheiro, e impuseram que parte desse financiamento seja para pagar dívidas a empresas chinesas”.

“Já não é “free money” como no tempo do [ex-Presidente] José Eduardo dos Santos, o que é uma diferença importante”, concluiu o especialista, para quem o ímpeto reformista de João Lourenço é uma consequência da conjuntura.

“A crise económica não deu alternativa a João Lourenço que não fosse reformar”, defende o académico, acrescentando que “estabilizar a economia e ganhar o controlo total do MPLA eram as principais prioridades do primeiro ano de mandato do Presidente”.

João Lourenço “sabia que uma mudança gradual e reformas lentas era uma coisa que não podia acontecer por causa das dificuldades económicas” que o país atravessa, entre as quais, salientou o investigador britânico, a diminuição da produção de petróleo, que “já está mais ou menos hipotecado” no âmbito dos empréstimos pagos em hidrocarbonetos.

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