- Publicidade-
Smooth Jazz Rádio Calema
Inicio Mundo Europa Francisco Franco: 43 anos depois da morte, Espanha não sabe que destino...

Francisco Franco: 43 anos depois da morte, Espanha não sabe que destino dar ao ditador

Francisco Franco é uma das figuras que mais se destaca na história recente de Espanha. Fez parte do golpe militar de 1936 que tirou o poder aos republicanos e passou a liderar um conflito fratricida que, durante três anos, tirou a vida a 400 mil espanhóis. Franco é o rosto de um período de mais de 30 anos em que o fascismo governou Espanha.

Francisco Franco é uma das figuras que mais se destaca na história recente de Espanha. Fez parte do golpe militar de 1936 que tirou o poder aos republicanos e passou a liderar um conflito fratricida que, durante três anos, tirou a vida a 400 mil espanhóis. Franco é o rosto de um período de mais de 30 anos em que o fascismo governou Espanha.

Os três anos de guerra entre nacionalistas e “vermelhos” deixaram muitas marcas no país vizinho e um dos episódios mais cruéis ficou desenhado na história pela sensibilidade profunda do espanhol Picasso. A obra-prima do pintor deverá ser a mais “ensanguentada” do espírito rebelde de Pablo. Guernica, a cidade do Pais Basco arrasada durante o conflito, fez com que a raiva do malaguenho fixasse na tela o génio e, ao mesmo tempo, marcasse na história o espelho do pior daquela guerra.

O general inaugurou, em 1959, um mausoléu ao lado da capital espanhola com uma imponência única e de uma austeridade plena, ao “furar” a montanha granítica para engrandecer ainda mais o lugar onde está a Abadia de Santa Cruz. Lá dentro e atrás de enormes tapeçarias que “contam” diversas passagens do Apocalipse, último livro da Bíblia, estão outras tantas pequenas capelas que guardam as ossadas de mais de 35 mil espanhóis que caíram no conflito. Foram resgatados de valas comuns e cemitérios de toda a Espanha.

Diz-se, nos corredores da história do poder franquista, que não terá sido o ditador o autor da ideia, mas alguém mais iluminado, de maior consciência e maior usura que terá imaginado desafiar em importância o deslumbrante, fascinaste e arrebatador “Escorial”, situado a 12 quilómetros em São Lorenzo – e que, para lá de ser um edifício onde estão sepultados muitos monarcas espanhóis (com destaque para D. Filipe II de Espanha – que o mandou construir nos finais do século XVI – que foi Filipe I e rei de Portugal durante a dinastia filipina, da qual, convenientemente temos a tendência a recordar o seu fim).

Não tem comparação. Mas Francisco Franco tinha que se destacar na sua morte e pensou em perpetuá-la. E se pensarmos bem, o ditador foi lúcido na vontade. Está sepultado no centro da Abadia, num lugar de destaque, por debaixo da Cripta e atrás do altar-mor no “seu” Vale dos Caídos. Semelhante “honra” só teve Primo de Rivera, fundador da Falange Espanhola (partido único do franquismo) e que está sepultado em frente ao altar.

Os “vivos” do recém-governo de Pedro Sanchez, saído duma moção de censura ao Partido Popular (PP) de Rajoy há pouco mais de cinco meses, intensificaram a vontade de tirar dali as ossadas do “generalíssimo” porque, entre muitas razões de “justiça, memória, dignidade e democracia”, escritas no Twitter do líder do PSOE, depois do resultado positivo da votação no parlamento à exumação de Franco, há sempre a razão de que o governante fascista não pereceu na guerra que iniciou.

Entre vontades e decretos, há uma grande parte de Espanha que continua em peregrinação diária a visitar a tumba de Franco; há também uma grande parte de Espanha que o quer ver fora dali, há uma outra grande parte de Espanha que não se importa se fica ou sai e há ainda uma outra parte, que também é grande, que diz que se deveria acudir antes aos vivos e deixar os mortos em paz. Haverá mais.

Depois há soluções de sítios, dados à direita e à esquerda, para onde o general deverá ir. Uns querem-no na Catedral de Almudena no centro de Madrid, onde a família tem uma pequena capela, e aí a peregrinação continuará. Outros querem “pô-lo”, com a dignidade possível do ato, ao lado da esposa, que está sepultada no cemitério do Prado, também na capital espanhola. Outros enviavam-no para a morada eterna na sua terra natal (Ferrol) na Galiza. Outros não querem saber para onde vai, querem é que saia dali. Outros não querem que se mexa dali e ainda há quem queira atirar o ditador ao mar.

Uma coisa que talvez poucos pensaram é que nunca ninguém saberá o que pensam as almas dos que lá estão, sé é que ainda lá estão, ou alguma vez estiveram. (Renascença)

- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -

Notícias relacionadas

- Publicidade -

Deixe um comentário

Por favor insira seu comentário!
Digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.