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Mais de 40 menores violadas sexualmente em 10 meses na Huíla

O número de crimes na província da Huíla tem estado a crescer nos últimos tempos, de forma assustadora. Neste crescimento destacam-se também os crimes de violação sexual, com envolvimento de menores de idade, tanto como vítimas quanto como autores. De Janeiro a Outubro do corrente, esta província registou 47 violações sexuais de menores.

As vítimas, com idades compreendidas entre os dois e 14 anos, constam do balanço feito pela Polícia Nacional na Huíla, de Janeiro a Outubro do corrente ano, dos vários municípios desta província, tendo Lubango como o líder na lista dos crimes cometidos. Os dados foram apresentados na última Sexta-feira, na cidade do Lubango, província da Huíla, pelo director Provincial do Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa da Delegação do Ministério do Interior, Manuel Halaiwa.

O responsável disse que esta cifra é parte de um total de 110 crimes de violação, sendo que, destes, 96 foram esclarecidos pela Polícia Nacional, na Província da Huíla. Manuel Halaiwa que falava durante a apresentação de um grupo de 16 marginais, 12 dos quais está a ser acusado de violação sexual e quatro de homicídio voluntário, acrescentou que para o cometimento destes crimes, muitas vezes são envolvidas pessoas próximas às vítimas ou com algum grau de parentesco, como tios, padrastos e primos.

“Por esta razão, apelamos aos pais e encarregados de educação, que não deixem os seus filhos e educandos a mercê destas pessoas; evitem deixá- las em casa, sozinhas, ou a circular em lugares ermos no período nocturno. Da mesma forma, não devem colocar à sua disposição objectos que as expõem ao risco, como dinheiro e telemóveis”, alertou. No mesmo período a Polícia Nacional registou ainda a ocorrência de cerca de 84 crimes de homicídio, entre voluntários e qualificados, sendo que 74 foram esclarecidos e sete ainda estão por esclarecer.

Consumo de álcool na base das violações e homicídios

A prática destes crimes resultou na instrução de um total de 77 processos crimes, dos quais 36 foram a julgamento, com 16 cidadãos nacionais condenados nas penas que vão dos 2 aos 12 anos de prisão. As idades dos acusados ou autores dos crimes ronda entre os 16 e os 60 anos, e apontam o consumo de bebidas alcoólicas caseiras como causador destes comportamentos desviantes. Moisés, de 18 anos, está a ser acusado de ter abusado sexualmente a sua sobrinha de apenas três anos de idade, no bairro Kaguinda, arredores da cidade do Lubango.

O jovem, que confessou o crime, acredita ter sido motivado pelo consumo de álcool. “Violei a filha do meu irmão, eu vivia com a minha cunhada na casa do meu irmão, não vi como é que isso veio a acontecer. Realmente estava bêbado de whisky, foi a minha primeira vez a consumir álcool, estou muito arrependido”, disse. Já Constantino Tchio, de 21 anos de idade, é acusado de ter cometido o crime de homicídio voluntário, no Município da Chibia.

Este revela que dirigiu- se à casa da vítima com a intenção de consumir bebida alcoólica (kanhome), um produto que a mesma comercializava. Posto lá, depois de beber o equivalente a 750 Kz, começou a pedir em namoro à vendedora, que veio a negá-lo. A negação não foi bem vista pelo cliente, que partiu para a tentativa de violação sexual. A senhora agarrou-lhe brutamente na genitália e “eu vi que estava a correr risco de morte, apertei-lhe no pescoço, até que perdeu a vida”, conta. (O País)

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