Portal de Angola
Informação ao minuto

Está a ser dado mais um passo a caminho dos robôs militares

Um robô de controlo remoto equipado com uma metralhadora em desenvolvimento pelos fuzileiros navais dos EUA (DR)

Exército britânico está a testar 70 novas tecnologias militares baseadas em inteligência artificial

Há cinco dias, o Exército britânico lançou o maior exercício militar da sua história com o objetivo de testar 70 novas tecnologias para usos militares, baseadas em inteligência artificial. Protótipos de veículos aéreos não tripulados, veículos terrestres autónomos e sistemas de vigilância ou identificação de alvos são algumas das novidades que em breve poderão ser usadas em cenários de conflito.

“Este equipamento pode revolucionar as nossas Forças Armadas, mantendo-as seguras e dando-lhes vantagem num mundo cada vez mais instável”, disse o ministro da Defesa britânico, Gavin Williamson, na passada segunda-feira, dia de arranque deste exercício. Os britânicos têm um laboratório com técnicos especializados em inteligência artificial a funcionar no Ministério da Defesa do Reino Unido, com o objetivo de “maximizar o impacto da ciência e da tecnologia na defesa e segurança”. Segundo o Governo britânico, as tecnologias que vão ser testadas durante um mês visam reduzir o risco enfrentado pelas tropas em situações de combate. Só que falta o outro lado.

“Os testes que estão a fazer não nos podem deixar muito descansados sobre a futura utilização destas tecnologias”, defende Eugénio Oliveira, professor jubilado da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) e especialista em inteligência artificial. Apesar do lado “positivo” de identificação prévia de perigos, explica, “o problema está na ausência de um código de ética e na necessidade de saber se estes sistemas vão ser usados de forma correta ou desproporcional”.

Entre as novas tecnologias estão os sistemas inseridos em drones ou aviões capazes de identificar ameaças através do rastreamento dos quartéis e das zonas limítrofes das cidades. “Captam padrões vistos como ameaças e depois põem em prática ações que podem ser devastadoras”, exemplifica Eugénio Oliveira. Ou seja, têm capacidade de detetar um local onde várias pessoas armadas estão reunidas, por exemplo num local no Afeganistão, e desencadear um ação — mas é preciso que consigam distinguir se é uma situação de perigo ou uma festa de casamento. Em paralelo, há ainda outro risco. “Todos estes algoritmos dependem de dados. Bastará mudá-los para conduzirem a decisões distorcidas.” Para já, ainda pouco se sabe em pormenor sobre o que poderá avançar. “As tecnologias para uso militar são as partes mais secretas da inteligência artificial.”

CONTRA “ROBÔS ASSASSINOS”
O secretário-geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, vê na “militarização da inteligência artificial” um grande problema, como afirmou na Web Summit, em Lisboa. “Máquinas que têm o poder de tirar vidas humanas são politicamente inaceitáveis, moralmente repugnantes e devem ser banidas.” Já em agosto, um grupo de 116 especialistas de 26 países fez chegar uma carta aberta à ONU com um alerta para os riscos dos “robôs assassinos”, pedindo para banir o seu desenvolvimento. “Assim que estejam desenvolvidas, estas armas autónomas letais vão permitir que o conflito armado aconteça numa escala sem precedentes”, lê-se na carta, assinada entre outros por Elon Musk, dono da Tesla.

A Human Rights Watch já apelou à proibição das armas autónomas, as chamadas LAWS (Lethal Autonomous Weapons Systems). O AI Now Institute, organismo de investigação sobre as implicações da inteligência artificial, criado em 2017 em Nova Iorque, considerou o uso de algoritmos para fins militares uma “má ideia”.

Estados Unidos, China, Israel e Coreia do Sul também têm estado a desenvolver estas tecnologias. O exercício que decorre até 12 de dezembro no Reino Unido, além de envolver a Marinha e a Força Aérea britânicas, conta com o Exército dos Estados Unidos, em colaboração com 50 parceiros industriais e académicos. O Reino Unido prevê em 2025 já conseguir usar armas autónomas. (Expresso)

Também pode gostar

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Vamos supor que você está bem com isso, mas você pode optar por sair, se desejar. Aceitar Leia mais

Translate »