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Resgate de doze mil dólares não salvaram vida de empresário de Pombal

O empresário vítima do homicídio ocorrido em Maputo, no domingo, chamava-se Paulo Caetano, tinha 51 anos, quatro filhos e era natural de Pombal. O irmão, Jorge, revela que os raptores terão exigido a entrega de 12 mil dólares e de um carro de alta cilindrada, mas, apesar dessas indicações terem sido seguidas, não lhe pouparam a vida.

Embora não tenha contacto com o irmão há cerca de dez anos, Jorge Caetano explica que, face à ausência do empresário, uma funcionária o contactou e, do outro lado da linha, atendeu uma pessoa a dizer que Paulo Caetano tinha sofrido um acidente e a sugerir que ela se deslocasse ao local. Mais tarde, foi pedido um resgate, que foi pago, sem que o empresário tivesse sido libertado.

Jorge Caetano diz que o resgate não foi pedido à família, que reside em Pombal, mas a uma funcionária que o irmão levara para Moçambique, há oito anos, depois de a empresa de que os dois irmãos eram sócios ter falido, devido à crise que afetou a área da construção civil. Em Moçambique, estava ligado ao mesmo setor de atividade. “Segundo os amigos contam, o meu irmão não tinha problemas nenhuns por lá.”

Depois de o secretário de Estado das Comunidades, José Luís Carneiro, ter considerado esta “situação muitíssimo grave”, o diretor-geral de Política Externa do Ministério dos Negócios Estrangeiros transmitiu ao embaixador de Moçambique em Portugal a “forte preocupação com a crescente insegurança” dos portugueses que contribuem “ativamente e muito significativamente para o desenvolvimento económico e social” daquele país. O caso está a ser investigado pelas autoridades locais.

Polícia admite que autor de rapto de português seria conhecido da vítima

A Polícia da República de Moçambique disse à Lusa ter indícios de que o rapto de Jorge Caetano pode ter sido feito por alguém que a vítima conhecia. O relato de uma funcionária indicia que “o rapto em si não tenha sido violento” e que provavelmente o empresário “se tenha sentido à vontade para lidar com as pessoas que o raptaram”, referiu Juarce Elias Martins, chefe provincial de relações públicas da Polícia da República de Moçambique (PRM).

A Polícia da República de Moçambique​​​​​​ (​PRM) foi alertada no sábado para o rapto por uma pessoa próxima do português de 51 anos, que vivia há oito em Moçambique e que disponibilizava apoio aos setores da construção civil, nomeadamente através do aluguer de máquinas.

“Tomámos conhecimento no dia 10, através de uma pessoa ligada à vítima, que havia registo deste rapto”, que terá ocorrido na sexta-feira na zona de Mussumbuluco, na Matola, subúrbios da capital, Maputo. Na altura, referiu o responsável, a polícia ativou a equipa de investigação criminal (Sernic) e foram iniciadas diligências.

A vítima foi encontrada sem vida por volta das 14 horas de domingo, na zona de Moamba, numa pedreira abandonada, com sinais de ter sido atingida com uma faca no pescoço e no braço.

Portuguesa de 28 anos morta em 2017

Uma portuguesa, Inês Botas, 28 anos, que trabalhava para a empresa Ferpinta na cidade da Beira, centro de Moçambique, foi assassinada em dezembro de 2017.

Três homens foram acusados do crime, incluindo o preparador físico da vítima, mas o julgamento nunca se chegou a realizar e um dos suspeitos fugiu da prisão na semana passada.

Ainda em dezembro de 2017, poucos dias depois da morte de Inês Botas, uma cidadã portuguesa com cerca de 70 anos morreu na província de Manica, centro do país, na sequência de um assalto à sua residência.

Continua também por esclarecer o desaparecimento do empresário Américo Sebastião, raptado numa estação de abastecimento de combustíveis, em 29 de julho de 2016, em Nhamapadza, distrito de Maringué, província de Sofala, no centro do Moçambique. (Jornal de Notícias)

por Lusa

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