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Colheita deste ano pode atingir 700 mil toneladas

A campanha agrícola 2018/2019 na província de Benguela, que vai contar com 108 mil 750 famílias camponesas, poderá produzir mais 700 mil toneladas de produtos diversos. A garantia foi dada ontem na comuna da Yambala, município do Cubal, pelo director provincial da Agricultura, Pecuária e Pescas, José Silva, durante o acto de abertura oficial do evento.

De acordo com o responsável, para que a campanha tenha o êxito preconizado, foram preparados 256 mil 383 hectares de terra, seis mil 789 dos quais de forma mecanizada, 55 mil 406 hectares com tracção animal e 91 mil 188 de forma manual.

Foram igualmente disponibilizadas milhares de toneladas de fertilizantes, sendo cinco mil compostos, 600 simples de sulfato de amónio e mais 500 de ureia. Estão ainda ao dispor dos agricultores várias toneladas de sementes, entre as quais, 600 de milho, 50 de feijão, 10 de massambala, 10 de massango, meia de soja, 500 feixes de mandioqueiras, 500 unidades de instrumentos agrícolas diversos, 2.000 charruas de tracção animal e 30 pulverizadores.

Segundo José Silva, vão ser corrigidos cerca de 1.500 hectares de terra com o recurso ao calcário dolomítico nos municípios do Cubal, Ganda, Caimbambo e Chongorói e será prestada assistência aos produtores mediante a instalação de 203 campos de demonstração e 10 de treinamento, onde serão difundidas técnicas recomendadas para o cultivo das principais culturas praticadas na província, como milho, feijão, batata-doce e mandioca.

Para contornar os efeitos da estiagem que se tornou cíclica na província de Benguela, a campanha agrícola vai fomentar a cultura da mandioca com a introdução de variedades melhoradas resistentes a doenças.

No decorrer do evento, vão ser vacinadas 150 mil cabeças de gado bovino contra a PBCB, dermatite nodular, carbúnculo sintomático e hemático.

“Esperamos assim ter nessa campanha uma produção estimada de dois mil 250 toneladas de carne, 22 milhões de ovos e 5 mil mudas de espécies diversas entre florestais e ornamentais”, preconizou o responsável.

Tarefa do Estado
Para a vice-governadora de Benguela para o sector Político, Social e Económico, que orientou a cerimónia de abertura, a responsabilidade actual do Estado no desenvolvimento agrário prende-se à facilitação do crédito junto das instituições bancárias.

“Temos de nos habituar a fazer crédito bancário, para trabalharmos, e depois de vendermos o nosso produto, restituir ao banco. O Estado está disponível para prestar ajuda neste sentido”, prometeu a governante.
Segundo Deolinda Valiangula, o Governo pode dar às vezes mais um tractor, enxadas e algumas charruas, “mas tem de se habituar as pessoas a fazerem crédito.”

Clamor por obras
A população da localidade da Taka, cerca de 30 km da sede do município do Cubal, clama pela reabilitação do açude, para a irrigação de todo o perímetro agrícola, bem como do posto de saúde local.Na mensagem lida durante a abertura da campanha, o representante da cooperativa agrícola de camponeses da região, denominada “Hoji ya Henda”, ao mencionar as dificuldades com que se debatem, apontou a falta de tractor e a reabilitação do troço que liga a sede do município do Cubal à localidade, como factor impeditivo do escoamento da produção.

Fundada em 2003, esta cooperativa de camponeses está instalada numa área de 1.055 hectares e controla 1.550 agricultores, 77 dos quais mulheres.

Para esta campanha, a cooperativa apenas preparou 44 hectares para o cultivo de milho, feijão, batata rena e doce, banana, ginguba, alho e cebola. (Jornal de Angola)

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