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Duarte Xavier chamava-se Ana no Tinder e, apesar da barba, seduziu 4 homens. Foi condenado a 15 anos de prisão

Homem de 34 anos, originário da Madeira, seduzia pela internet como se fosse uma mulher para encontros na escuridão com os olhos vendados. Foi condenado a 15 anos de prisão

Um português que teve relações sexuais com quatro homens fingindo ser uma mulher foi hoje condenado a 15 anos de prisão por um tribunal britânico.

Duarte Xavier conheceu esta sexta-feira a sentença no tribunal criminal de Kingston upon Thames, perto de Londres, após ter sido declarado culpado no início de outubro de seis crimes por atividade sexual com homens, alguns envolvendo penetração.

O juiz Michael Hunter descreveu o caso como uma “campanha de mentira para obter sexo ao fingir que era uma mulher atraente, sexualmente aventureira”. Em vez de ter relações com outros homens homossexuais, o magistrado criticou Xavier por “escolher deliberadamente ter sexo com heterossexuais” e de o ter feito com um “grau elevado de planeamento cuidado”.

Em vez de remorsos, manifestou até “algum grau de desprezo por uma das vítimas”, continuou, e como agravante teve o facto de só ter parado após uma terceira detenção.

A advogada de defesa, Helen Butcher, ainda alegou como circunstâncias atenuantes que Xavier, natural da Madeira, foi “criado numa sociedade muito conservadora, intolerante com homossexuais” e que a sua orientação sexual foi mantida em segredo, o que foi uma “experiência difícil”. A opção por “relações abertas”, continuou, “não foi porventura o melhor modelo” para encontrar parceiros.

A duração da sentença, uma combinação de penas entre quatro e 11 anos por cada um dos seis crimes, a cumprir em simultâneo e consecutivamente, foi justificada pelo juiz como necessária para demover outros crimes semelhantes “na era da Internet”. Os crimes foram cometidos entre fevereiro de 2016 e abril de 2018.

“Um homem heterossexual enganado a penetrar outro homem deve considerar essa uma experiência horrível”, comentou Hunter, que admoestou a polícia por ter libertado Xavier duas vezes, após as quais continuou a cometer crimes, sem ter iniciado procedimentos judiciais.

Vítimas estavam de olhos vendados
Duarte Xavier tem 34 anos, tem barba, é calvo e vive na Inglaterra, sendo originário da Madeira. Estas são as características reais do homem que foi julgado em Londres por se fazer passar por uma mulher na rede social Tinder para seduzir homens e ter sexo com eles.Chamava-se Ana e, fingindo uma voz feminina, impunha condições que impediam os seus amigos do Tinder de o reconhecer como sendo do sexo masculino. Os encontros eram preparados de forma a que as vítimas tinham que estar de olhos vendados e não lhe podiam tocar. Pelo menos quatro homens caíram no engodo.

De acordo com as autoridades britânicas, Xavier apresentava-se no Tinder, e noutros sites de encontros como Craiglist ou Lovoo, como mulher e, após estabelecer contactos com potenciais vítimas, criava uma voz feminina ao telefone e enviava imagens sexualmente explícitas. Depois era feito o convite para sexo no seu apartamento em Wandsworth, Londres.

O primeiro caso, dos que chegaram a tribunal, ocorreu em fevereiro de 2016 com um homem de 45 anos. Chegou ao apartamento e, quase na escuridão, foi convidado a colocar uma venda pela voz feminina de Ana, isto é Duarte Xavier. Quando o contacto físico se iniciou, o homem desconfiou e acabou por remover a venda. Deu de caras com um homem e fugiu. Um ano depois uma situação idêntica ocorreu com um homem de 29 anos. Xavier, que dizia ao telefone ser uma dona de casa, justificava a escuridão e a venda nos olhos por ser “casada e não querer que o marido soubesse”. Chegou a ser preso mais que uma vez mas acabou sempre por ser libertado. E voltava a atacar.

A polícia inglesa acredita que possa haver mais vítimas, que não apresentaram queixa por vergonha. Quatro dos queixosos tiveram mesmo relações sexuais. Em dois casos Xavier fez sexo oral a dois dos homens, passando por mulher, e noutras duas situações fez sexo anal passivo com os homens.

“Senti-me violado”

Uma das vítimas disse em tribunal: “Senti-me violado, com o que ele me fez. Foi chocante.” Outro dos ofendidos contou a sua história e o encontro no apartamento de Xavier em Wandsworth. O homem colocou uma venda nos olhos antes de Xavier entrar no quarto e começar a fazer sexo oral. Descrevendo a situação, a vítima disse: “Fiquei furioso quando tirei a venda… Era um homem com barba. Dei-lhe uma ou duas bofetadas e disse ‘porque não me disse a verdade’?”

A procuradoria inglesa, através de Kunal Davé, pediu a condenação em julgamento, o que veio a ser concedido: “Espero que a condenação não apenas deixe claro o quão importante é o consentimento no sexo, mas também dê às vítimas alguma forma de conforto, além de enviar uma mensagem para outras vítimas de que elas não estão sozinhas.”

Como testemunha, a detetive Lucy Marsh, da polícia de Wandsworth, afirmou no tribunal que Xavier é um ser perverso: “Os crimes cometidos por Xavier são únicos na sua depravação. Todas as vítimas não tinham motivos para acreditar que não estavam com uma mulher. Todas declararam inequivocamente que nunca teriam consentido relações sexuais com outro homem.”

Em tribunal, Duarte Xavier negou todas as acusações, alegando que as vítimas sabiam que ele era um homem, mas foi condenado. Os juízes do tribunal de Kingston Crown consideraram-no culpado de seis crimes de provocar que uma pessoa tivesse atividade sexual sem consentimento. (Diário de Notícias)

*Com Lusa

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