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Silêncio do MINSA “empurra” médicos à greve

A greve, marcada para os dias 19, 20 e 21 deste mês, tem, dentre as várias motivações, está o baixo salário e a falta de condições de trabalho que a classe dos médicos diz enfrentar e que não tem merecido a devida atenção e resolução do Ministério da Saúde (MINSa)

O presidente do Sindicato Nacional dos Médicos de Angola (SINMEA), Adriano Manuel, garante que estão criadas as condições para paralisarem as suas actividades nos dias acima mencionados caso o Ministério da Saúde não atenda às preocupações dos seus filiados, contidas no caderno reivindicativo. De acordo com o sindicalista, que falava à margem do segundo fórum de auscultação da classe, as preocupações dos médicos já são do conhecimento das autoridades sanitárias que têm vindo a responder com silêncio e ignorância aos constantes apelos.

Tal como explicou, em Agosto deste ano, a sua organização entregou ao Ministério da Saúde um caderno reivindicativo da classe onde constam uma série de preocupações das quais destacam-se a baixa tabela salarial, a falta de condições de trabalho, a ausência de um plano de saúde e a falta de formação.

Desde que foi entregue o referido caderno reivindicativo, Adriano Manuel disse que o Ministério da Saúde tem-se resguardado no silêncio, ignorando assim as preocupações da classe que, em alguns casos, trabalha em débeis condições, o que acaba por perigar a vida de muitos profissionais. “Temos casos de colegas que contraíram determinadas patologias quando exerciam a actividade.

E isso só acontece porque não há, em grande parte dos hospitais públicos, condições de trabalho para o bom desempenho da medicina”, frisou. Caso o Ministério da Saúde não dê solução as preocupações da classe, Adriano Manuel deu a conhecer que os médicos inscritos no sindicato, e que se revêem na causa, vão partir para uma greve generalizada, situação que poderá comprometer a funcionalidade dos hospitais públicos, na qualidade do serviço nacional de Saúde, na humanização dos serviços médicos e no bom desempenho da actividade médica.

“Talvez por esta via os órgãos de direito poderão nos ouvir. Estamos a lutar apenas por justiça. É preciso que se olhe para as preocupações dos profissionais da nossa classe que, na verdade, fazem mais do que é permitido para salvar vidas. Fizemos até o impossível mesmo sem condições de trabalho”, atestou.

Abertos ao diálogo

Ainda durante o segundo fórum de auscultação da classe, Adriano Manuel deixou claro que a sua organização sindical está disposta e aberta para negociar com o Estado e assim encontrar um ponto de equilíbrio que favoreça os médicos e o Governo. “Continuamos abertos para dialogar com as autoridades. Não podemos continuar em pontos diferentes.

O que pedimos é o respeito pelas nossas reivindicações a fim de prosseguirmos com as nossas actividades”, notou. OPAÍS tentou contactar, vária vezes, o Ministério da Saúde, mas não obteve sucesso. Fontes daquele órgão ministerial revelaram que, para os próximos dias, está previsto encontros com o Sindicato Nacional dos Médicos de Angola, organização criada em Janeiro deste ano e conta com mais de mil filiados. (O País)

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