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Camponesa faz morada no aeroporto Internacional de Luanda

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Rosa Sebastião Manuel, 62 anos, está a residir, há uma semana, com o esposo adoentado no interior do novo Aeroporto Internacional de Luanda, no Km 44, por supostamente ter sido burlada na indemnização a que tinha direito.

O acordo com as autoridades era no sentido de abandonar a lavra de dois hectares logo que recebesse a casa e um valor monetário não definido. Já no interior do aeroporto, dois soldados impediram a entrada da reportagem do Jornal de Angola no recinto do estaleiro. Agastada com a situação, Rosa Sebastião Manuel deixou apenas o interior do estaleiro a sua antiga lavra, para prestar declarações por entre árvores frondosas e o sibilar de pássaros.

Rosa Sebastião Manuel tem a lavra desde 1973, ano em que se mudou para a casa do marido. Só em 1977 foram orientados a abandonar o local a pedido do Presidente Agostinho Neto, devido aos conflitos entre o MPLA e a FNLA. Mas, dois anos depois voltaram à zona que ganhou nome de Vai-Volta.

Rosa Sebastião Manuel contou que, em 2005, a sua lavra foi abrangida pelas obras do novo Aeroporto de Luanda. “O major Catati, que era na altura inspector do posto policial na zona, apareceu depois como major das FAA, e informou que eu tinha de abandonar a lavra, porque naquele espaço seria construído o estaleiro”, disse Rosa Sebastião Manuel, realçando que, no mesmo período, recebeu uma tenda, que foi montada no espaço para guardar os seus haveres até receber a indemnização por parte do Estado.

Passados 13 anos, Rosa Sebastião Manuel confessa que desmaiou, vezes sem conta, quando viu as mangueiras e cajueiros a serem derrubados para dar lugar ao aeroporto.

“Acompanhei de perto a indemnização que o Estado deu aos outros camponeses”, disse, para acrescentar: “As outras camponesas receberam casas e um valor monetário. Até agora o major Catiti diz que temos de esperar e que não é culpado, porque outras pessoas é que o impedem de fazer a inserção do meu nome na lista.”

Num tom ofegante, a idosa disse que alguns efectivos do Exército estão solidários consigo e questionam as razões que levaram o major Catati a não ter entregue a indemnização, uma vez que recentemente tive um Ataque Vascular Cerebral (AVC).

“Tive de entrar à revelia e fixar-me no interior do estaleiro do empreiteiro das obras do aeroporto. O chinês, dono do estaleiro, informou-me que já pagou a todos os camponeses, mas, infelizmente, não me pagaram”, lamentou Rosa Sebastião Manuel, que avançou que muita gente morreu sem ser paga.

Depois de informar que o seu esposo nasceu no local em 1942, a camponesa admitiu que não vai arredar pé do local sem que seja resolvida a sua situação. “Com chuva ou sem chuva não saio. Vale a pena morrer, porque estou a ser burlada”, acrescentou Rosa Sebastião Manuel, para frisar que não consegue pagar as propinas da faculdade do filho, porque já não tem produção há muitos anos.

O Jornal de Angola contactou, por telefone, o major Catati, que está a ser acusado de burlar a camponesa, mas negou de falar sobre o assunto, tendo desligado de seguida o telefone. (Jornal de Angola)

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