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António Jacinto escolhido para “Escritor do Mês”

A obra e a biografia do poeta António Jacinto é revisitada e analisada hoje e no dia 26, a partir das 10h00, na 10ª edição do “Escritor do Mês na Biblioteca Camões”, no Auditório Pepetela, do Camões – Centro Cultural Português, em Luanda.

Em alusão às comemorações da Independência Nacional, a obra e a biografia do autor escolhido são revisitadas e analisadas, em dois dias, no quadro da promoção da língua portuguesa e de divulgação de autores de língua portuguesa, que levou o Camões a criar na sua Biblioteca um Núcleo de Leitura que revisita autores consagrados de língua portuguesa, por meio da leitura colectiva de extractos das suas obras e biografias.

O Camões refere, em comunicado, que António Jacinto admitiu, num depoimento de 1981, que nunca escreveu para fazer carreira nas letras, mas por imperiosa necessidade vital (cultural, afectiva, política). “Escreveu Manuel Ferreira, na introdução ao seu conto inicial, que ele era ‘uma espécie de apólogo, de fábula didáctica, apontando para o realismo socialista’, característica que perdurou na sua criação literária e que ele transpôs para a própria vida de militante da libertação nacional”, lê-se no documento.

António Jacinto nasceu em 28 de Setembro de 1924, em Luanda, e morreu em 23 de Junho de 1991, em Lisboa. Usou o pseudónimo Orlando Távora para assinar alguns contos. Fez o liceu em Luanda e trabalhou como empregado de escritório. Foi fundador, com Viriato da Cruz, do efémero Partido Comunista Angolano (logo dissolvido no movimento nacionalista que ajudaram a formar). Esteve preso, por actividades políticas anticoloniais, de 1962 a 1972, a maior parte do tempo no Tarrafal. Com excepção dos anos de prisão fora do país, viveu praticamente toda a vida em Luanda. Foi ministro da Educação e Cultura (1975-78) e membro do Comité Central do MPLA.

Formado na estética neo-realista, a sua poesia da fase heróica, escrita por altura do incremento grupal das literaturas angolana e africana (na viragem da década de 1940), individualiza-se em poemas que permanecem como ícones sintomáticos e imprescindíveis dessa época: “Carta dum contratado”, “Poema da alienação”, “Monangamba” e “Castigo pró comboio malandro”. Neles se encontram temas da dialéctica marxista e do neo-realismo: alienação, analfabetismo, contrato, exploração e revolta. Noutro grupo de poemas (de que faz parte o também muito conhecido “Grande desafio”), são visíveis a temática e o estilo comuns aos poetas ligados a Benguela (Aires de Almeida Santos, Alda Lara, Ernesto Lara Filho), privilegiando quadros idílicos da infância. (Jornal de Angola)

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