Notícias de Angola - Toda a informação sobre Angola, notícias, desporto, amizade, imóveis, mulher, saúde, classificados, auto, musica, videos, turismo, leilões, fotos

Solicitada pena máxima para assassinos de Beatriz

Dada a crueldade do crime, bem como o facto de os réus terem agido com intenção de matar, o advogado assistente do conhecido “Caso Beatriz e Jomance”, pediu, durante as alegações finais, que os réus fossem condenados à pena máxima (24 anos de prisão). Os 11 réus conhecerão a sentença no próximo dia 09, no Tribunal Municipal de Viana, em Luanda.

Há pouco menos de três meses que o Tribunal Municipal de Viana, na sua 10ª Secção da Sala de Crimes Comuns, julga os 11 réus (com um prófugo) acusados de estarem envolvidos no crime que vitimou mortalmente a jornalista da TPA, Beatriz Fernandes, e o jovem Jomance Muxito. Os crimes que pesam sobre eles vão desde dois homicídios qualificados, roubo qualificado, violação, ofensas corporais, posse ilegal de arma de fogo, abandono de infante, bem como associação de malfeitores. O julgamento que está prestes a terminar, sob presidência da juíza Isabel Gaspar, tem o dia 09 de Novembro como data prevista para as respostas aos quesitos e leitura do acórdão. Tanto o Ministério Público, representado pela magistrada Teresa Luzendo, quanto o advogado assistente, Hélder Samoli, foram unânime em defender que o tribunal deve fazer justiça com a condenação dos ora acusados neste crime que chocou a sociedade.

A assistência defende que os réus Guelord Kilumbo, Ambrósio Miguel, Marciano, Ladi, Ndelo Zinga, Adi Gonan, Wilson, João Keto, Cristiano e Marciano Eduardo, devem receber a pena única de 24 anos de prisão maior, bem como a indeminização, de forma solidária, a família da vítima, com 90 milhões de Kwanzas. Em sede de julgamento, segundo o advogado assistente, ficou claro que os réus Guelord (este tido como o líder do grupo) e Ambrósio, ambos agindo de prévio e comum acordo de vontades, com os seus comparsas Marciano Eduardo, Adilson Gomes, João Keto e Cristiano, na madrugada do dia 26 de Outubro de 2017, munidos de armas de fogo, atiraram à queima-roupa contra as vítimas nos autos, que tiveram morte imediata.

Filhos presenciaram momentos de terror

Antes disso, terão submetido as vítimas à tortura, com emprego de violência física e graves ameaças, como forma de aplicar castigo pessoal, de forma injustificada, “sem o mínimo de compaixão, mesmo sabendo que Beatriz se fazia acompanhar dos seus filhos. Amarraram-na, torturaram- na e, como se não bastasse, o co-réu Marciano a violou sexualmente, facto que veio a confessar”, disse. Os filhos da malograda, presentes nos momentos de terror praticado pelos réus, ouviram a vítima a agonizar e a pedir para que eles parassem de lhe bater, ou ela perderia a vida. Os meninos presenciaram ainda quando a mãe, gemendo de dor, foi levada para o matagal, onde, friamente, foi assassinada. Os médicos legistas afirmaram que o meio que produziu a morte não seria apenas os disparos de arma de fogo, pois ainda que os réus não disparassem contra as vítimas, estes estavam sujeitos à morte pela forma brutal com que foram torturados.

“Não obstante a confissão de uns e a negação de outros, com o intuito de enganar o tribunal, patudo ficou esclarecido com a acareação produzida em tribunal, onde a mentira dos que negavam caiu por terra. Por outro lado, os declarantes ouvidos, todos sem nenhuma excepção, descrevem os criminosos como sendo pessoas psicopatas”, apontou o advogado Hélder. Para o causídico, no contexto geral das provas não foi diferente a conclusão da autoria dos crimes ora imputados aos réus. As armas apreendidas em posse dos réus foram as mesmas usadas para a prática dos crimes. Os réus já estiveram presos e foi como se conheceram, inclusive dois deles são irmãos e reuniam-se regularmente para a prática de crimes, pelo que são verdadeiros comparsas.

À procura pelo mandante

O advogado (oficioso) de defesa, Menezes Madureira, apenas pediu ao tribunal que tivesse em atenção o facto de não se ter investigado o verdadeiro mandante deste crime, pois levantou-se esta questão e acredita-se na sua existência. A questão do mandante do crime foi levantada pela irmã de Beatriz, aquando da sua audição como declarante no processo. Maria Fernandes disse, em audiência de julgamento, que há suspeitas da existência de um mandante do crime, que terá liderado os 11 réus. A família, embora não tenha provas concretas, acredita piamente na existência de alguém que tenha comandado os 11 jovens apresentados pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC) no cometimento de tal crime, de que são vítimas Beatriz Fernandes e Jomance Muxito. As palavras de Maria Fernandes contradizem o que o SIC havia apurado no decorrer dos factos, que “nas diligências e investigações feitas, averiguamos que não houve mandante para este crime”, explicou, na altura, o ex-director provincial do SIC-Luanda, sub-comissário Amaro Neto, numa conferência de imprensa. Acrescentou que os meliantes assaltaram o veículo da jornalista sem saber de quem se tratava. Maria Fernandes, na sua explanação, ainda afirmou que “os criminosos tinham tudo pra não matar a minha irmã, até porque ela disse que tinha filhos menores pra cuidar, mas ainda assim, eles mataram”. Maria exprimiu ainda, na altura, que a sua família não tem acesso aos filhos de Beatriz, e que o pai dos meninos não os deixa ver, tendo a família, inclusive, recorrido ao tribunal, mas até agora sem sucesso. (O País)

Deixe um comentário

Seu endereço de email não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Vamos supor que você está bem com isso, mas você pode optar por sair, se desejar. Aceitar Leia mais

Translate »