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Research Atlântico: As pespectivas macroeconómicas de Angola para 2019

A economia angolana deverá encerrar o ano de 2018 com uma contracção do Produto Interno Bruto (PIB) no intervalo de 0,1% e 1,1%, de acordo com as estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Governo, respectivamente. As projecções surgem após a divulgação dos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), que apontavam para uma contracção da economia em 4,6% e 7,4% no primeiro e segundo trimestre do ano corrente, respectivamente. Com efeito, as instituições supracitadas reviram em baixa as estimativas de crescimento da economia, fixadas anteriormente em 2,2% e 2,3%, na mesma ordem acima referenciada.

A conjuntura internacional está a ser marcada por incertezas quanto a evolução da economia mundial em 2019, em virtude das tensões comercias. Com efeito, as principais economias registaram desacelerações do crescimento do PIB no terceiro trimestre de 2018, como o caso dos EUA (-0,7 p.p. para 3,5%), China (-0,2 p.p. para 1,6%) e a Zona Euro (-0,2 p.p. para 0,4%), e com o FMI a estimar uma redução da dinâmica do crescimento da economia mundial em 2018 (-0,2 p.p. para 3,7%) e ao mesmo tempo que estima um crescimento de 3,7% para 2019 (uma revisão em baixa de -0,2 p.p., face às estimativas de Julho último). As estimativas do FMI constam do World Economic Outlook referente a Outubro de 2018.

A desaceleração da economia mundial poderá reflectir-se na procura de commodities nos mercados internacionais, com o caso do crude, o que resultará numa pressão sobre os preços do petróleo, o principal produto de exportação de Angola. Porém, para o próximo ano, o Governo angolano e o FMI estimam que economia angolana poderá registar taxas de crescimento na ordem dos 2,8% e 3,1% respectivamente, reflexos de uma melhoria na gestão macroeconómica, com a execução do Programa de Estabilização Macroeconomia, que permitirá a desaceleração da taxa de inflação e impulsionará a convergência das taxas de câmbio do mercado formal e informal.

O crescimento médio da economia não petrolífera, em 5,1%, no próximo quinquénio (2018-2022) deverá contribuir decisivamente para o desempenho da economia, numa altura em que o Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2019 prevê aumentar as dotações ligadas ao sector produtivo. Destaca-se que no período em análise, o sector petrolífero deverá registar taxas de crescimento negativas. Portanto, e de acordo com alguns analistas, o crescimento da economia estará dependente dos estímulos que forem aplicados aos sectores como a agricultura e a indústria transformadora. A proposta do OGE para 2019 com previsões de receitas e despesas na ordem dos 11,2 bilhões AOA, que corresponde a um aumento de 17% face ao OGE de 2018, foi elaborado com o preço médio do barril de petróleo em 68 USD/barril. No mesmo período, o Governo prevê que a produção de petróleo deverá situar-se em 1,571 milhões barris/ dia.

As novas projecções do FMI demonstram que a dívida pública, em 2018, poderá atingir cerca de 80,5% do PIB, um aumento de 15,5 p.p., face aos níveis estimados para 2017, o que poderá reflectir as dívidas contraídas ao longo do presente ano, com o stock da dívida externa a situar-se em 43% do total. Para o próximo ano, estima-se que a o peso da dívida registe uma redução de 8,7 p.p. para 71,8% do PIB. Importa ressaltar, que o Governo reservou 48% do OGE de 2019 para o serviço de dívida. A taxa de inflação deverá situar- se abaixo dos 23% até ao final do ano de acordo com as estimativas tanto do FMI, como do Governo. Contudo, o INE divulgou os níveis de preços referentes ao mês de Setembro, tendo fixado-se em 21,60%, em termos homólogos. Entretanto, para 2019 o Governo prevê que os níveis de preços variarem em termos médios em 12,6% em linha com as previsões o FMI que prevê uma variação média de 12,0%. As contas externas deverão registar melhorias em 2019.

O défice de conta corrente deverá situar-se em 2,1% em 2018 e deverá melhorar em 2019 quando atingir 1,9% do PIB, segundo os dados divulgados pelo FMI. A concretização destas projecções poderá reduzir a pressão sobre as Reservas Internacionais Líquidas (RILs) e sobras às taxas de câmbio para o período em referência. Assim sendo, as RILs deverão estabilizar-se em torno dos 9 mil milhões USD, em 2018, um nível que garante apenas a cobertura de 4,9 meses de importação de bens e serviços, e que se mantem abaixo dos níveis recomendados pelos critérios de convergência da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (na sigla em inglês, SADC) de 6 meses. Portanto, para 2019 perspetivam- se melhorias substâncias nos principais indicadores macroeconómicos, o que deverá melhorar as expectativas dos investidores e impulsionar o ambiente de negócios, com efeitos sobre a capacidade da economia para a criação de empregos e rendimentos para as famílias e empresas. (O País)

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