Notícias de Angola - Toda a informação sobre Angola, notícias, desporto, amizade, imóveis, mulher, saúde, classificados, auto, musica, videos, turismo, leilões, fotos

Moçambique: Analistas sugerem caminho para superar incumprimento financeiro

Ainda há “considerável distância” até acordo entre credores e o Governo moçambicano, consideram analistas da revista britânica The Economist. Indexação das receitas do gás a programa de pagamento é alternativa “viável”.

A Economist Intelligence Unit (EIU) considera que a indexação das receitas do gás de Moçambique a um programa de pagamento dos credores é “viável” para o país evitar perpetuar o atual incumprimento financeiro.

“Com uma explosão de crescimento do gás natural no horizonte, este parece ser um caminho viável para evitar perpetuar o incumprimento financeiro, e é um acordo que numerosos outros países usaram para lidar com uma crise soberana”, dizem os peritos da unidade de análise da revista britânica The Economist.

Num comentário sobre a recusa da proposta avançada pelos credores comerciais por parte do Governo moçambicano, e a que a Lusa teve acesso, os analistas da revista britânica ‘The Economist’ escrevem que “o acordo foi rejeitado porque as autoridades exigem um ‘perdão’ de 50% da dívida atrasada”, já que “o Governo essencialmente considera que foram os credores que falharam no processo de ‘due dilligence’ quando prepararam os empréstimos às empresas públicas”.

A “due dilligence” é o processo através do qual são recolhidas informações sobre os planos de gestão das empresas, os destinatários dos empréstimos e a finalidade dos montantes envolvidos.

Negociação com os credores

O plano de reestruturação da dívida de Moçambique abarca um empréstimo de 622 milhões de dólares negociado pelo banco suíço Credit Suisse à empresa estatal ProIndicus e outros três empréstimos num total de 1,4 mil milhões de dólares, lembra a EIU, notando que foi a inclusão destes montantes nas contas públicas moçambicanas que, “em última análise, originou o incumprimento financeiro [‘default’]”.

As negociações com os credores da dívida pública moçambicana dividem-se em duas fases: uma com os detentores dos títulos de dívida pública, no valor de 727,5 milhões de dólares, e que resultam da reconversão de uma emissão obrigacionista da Empresa Moçambicana de Atum (EMATUM) em dívida soberana.

A outra envolve os três empréstimos negociados em segredo entre os bancos Credit Suisse e o russo VTB com empresas públicas de Moçambique, que receberam aval estatal e que, portanto, vinculam o Estado em caso de não pagamento.

“O primeiro-ministro de Moçambique, António Carlos do Rosário, já afirmou que o Governo vai apenas pagar as partes dos empréstimos que foram do interesse público, sendo o resto da responsabilidade das empresas”, diz a EIU, admitindo que “quantificar estas partes é algo que está aberto à especulação”.

A nível interno, está em curso “um debate sobre se Moçambique deve ser responsável pelo pagamento de empréstimos sancionados ilegalmente”, diz a EIU, lembrando que a proposta dos credores dos 727,5 milhões de dólares em títulos de dívida soberana “também não teve uma resposta oficial do Governo”, apesar de o ministro das Finanças já ter dito que espera uma solução até final do ano.

“Parece que ainda há uma considerável distância a percorrer antes de qualquer acordo ser alcançado”, conclui a EIU. (DW África)

Deixe um comentário

Seu endereço de email não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Vamos supor que você está bem com isso, mas você pode optar por sair, se desejar. Aceitar Leia mais

Translate »