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Ministro de Temer põe militar na presidência dos Correios

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Gilberto Kassab diz que troca no comando da estatal pretende facilitar a transição ao governo de Bolsonaro, mas nega ter tomado a decisão visando um cargo na próxima gestão. General Juarez Cunha vai assumir o posto.

O ministro das Comunicações, Gilberto Kassab, decidiu trocar o comando dos Correios e colocá-lo a cargo de um militar. O atual presidente, Carlos Fortner, será substituído pelo general Juarez Aparecido de Paula Cunha, que já é presidente do conselho de administração da estatal.

A informação foi publicada primeiramente pelo jornal O Estado de S. Paulo neste sábado (03/11) e confirmada por diversos veículos da imprensa, que relacionaram a decisão de Kassab a uma tentativa de alinhamento com o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL).

Ao jornal Folha de S. Paulo, o ministro afirmou que fez a troca “para facilitar a transição” ao próximo governo. “Juarez é um general da área de ciência e tecnologia que se aposentou, e eu já o tinha convidado para presidir o conselho dos Correios. Ele conhece o pessoal do Bolsonaro, e pensei que isso ajudaria na transição”, declarou.

Ao jornal O Globo, por outro lado, ele afirmou não saber se o general Juarez Cunha tem alguma interlocução com o presidente eleito.

Em entrevista ao portal G1, por sua vez, Kassab também adotou outro discurso. Ele disse que a mudança é interna e não tem relação com o próximo governo, e garantiu que não conversou sobre a mudança com ninguém da equipe de Bolsonaro, um capitão da reserva do Exército.

“A mudança não tem impacto na gestão. E a partir de janeiro o novo governo coloca quem eles quiserem na presidência [dos Correios]”, disse o ministro.

Em mensagem enviada a colegas dos Correios, o atual presidente da empresa teria avisado que “a transição já começou”. “Haverá mudança do estatuto, simplificando a estrutura”, afirmou Fortner no texto, segundo o Estado de S. Paulo. Ele justificou que seu sucessor “tem acesso direto à nova cúpula da presidência” e que “não haverá ingerência política como hoje”.

O diário O Globo aponta que a decisão de Kassab de colocar um militar no comando da estatal seria uma aposta do ministro para continuar à frente da pasta das Comunicações na próxima gestão. À Folha, contudo, ele negou ter feito a mudança visando um posto no novo governo.

O partido de Kassab, o PSD, decidiu adotar neutralidade no segundo turno das eleições presidenciais, mas houve membros do partido que declararam individualmente apoio a Bolsonaro. Um deles foi o ex-presidente dos Correios Guilherme Campos.

Campos deixou o comando da estatal neste ano para concorrer a uma vaga de deputado federal pelo PSD em São Paulo – sem sucesso. Carlos Fortner substituiu o paulista no posto em maio.

Ao deixar a presidência dos Correios, apenas seis meses após assumir o cargo, Fortner será remanejado para uma diretoria da estatal, onde ficará somente até o fim deste ano. Em 2019 ele deve deixar a empresa, afirma a Folha.

Kassab informou aos jornais que a decisão foi definida na sexta-feira e que a mudança oficial deve ocorrer nos próximos dias, “provavelmente na segunda-feira”.

Durante a campanha eleitoral, Bolsonaro declarou que há uma grande possibilidade de os Correios serem incluídos na lista de estatais a serem privatizadas em seu governo.

“Os Correios têm grande chance de entrar, porque o seu fundo de pensão foi simplesmente implodido pela administração petista. Hoje os Correios têm muitas reclamações”, justificou o ex-militar, em entrevista à Band uma semana antes do segundo turno. (DW)

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