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Analista: quedas das bolsas em todo mundo se tornariam início de nova crise global

Em Outubro as perdas nos mercados de valores dos EUA, Ásia e Europa, causadas pela venda massiva de acções, superaram cinco triliões de euros (R$ 21 triliões). É a maior queda desde a quebra do banco Lehman Brothers em 2008. Segundo vários analistas, o colapso nos mercados de acções se tornaria o detonador de uma nova crise.

Os maiores bancos avisam que o mercado entrou em uma fase de alta volatilidade e a economia global poderia entrar em uma crise grave já em 2020.

Por que as bolsas estão em queda?

Segundo a analista Natalia Dembinskaya, a instabilidade atual nos mercados de acções globais seria causada por várias razões. Entre elas estão as notícias sobre a possível saída da Itália da UE, bem como o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi no consulado da Arábia Saudita em Istambul.

“Mas a razão mais importante são os receios dos investidores ligados ao aumento das taxas de juro nos EUA e ao agravamento das relações comerciais entre Washington e Pequim”, explicou Dembinskaya.

O endurecimento da política da Reserva Federal (que elevou a taxa básica de juros por três vezes este ano) levou ao aumento das taxas dos créditos hipotecários e, como consequência, à redução da demanda no mercado imobiliário, enquanto os conflitos comerciais travaram o crescimento da economia chinesa. Os analistas avisam que as taxas de juro continuarão crescendo porque nos EUA se observa uma pressão inflacionária.

Segundo o The Wall Street Journal, “as preocupações que a economia dos EUA esteja à beira do super-aquecimento causou um aumento do rendimento das obrigações e uma enorme onda de volatilidade no mercado de valores”.

O pior está por vir?

Segundo os analistas do famoso banco americano JP Morgan Chase, o verdadeiro colapso nas bolsas dos EUA está por vir. O mercado cairá devido à proliferação dos fundos passivos. Antes da crise de 2008 os investimentos passivos – uma estratégia que implica a intervenção mínima do investidor na carteira de investimentos – constituíam menos de 30% dos investimentos activos, enquanto actualmente representam 80%.

Se a venda massiva das acções continuar e os preços das acções caírem mais 10% no quarto trimestre deste ano, a economia dos EUA poderá perder cerca de 0,75% do PIB.

Segundo o JP Morgan Chase, uma nova crise global poderia rebentar em 2020. Prevê-se que ela não seja tão destruidora como em 2008, porque o valor dos activos dos mercados emergentes é muito mais baixo que antes da última crise.

Geralmente, os países em desenvolvimento são os primeiros que sofrem as consequências dos processos globais. Entretanto, um recente estudo da Universidade de Harvard revelou que as economias emergentes já não são tão vulneráveis aos choques externos como há dez anos.

Por conseguinte, a crise em uma economia, até dos EUA, não causaria uma reacção em cadeia descontrolada. Os calotes soberanos se tornariam de menor escala e mais isolados e não causariam consequências devastadoras para todo o mundo, concluiu Dembinskaya. (Sputnik)

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