Notícias de Angola - Toda a informação sobre Angola, notícias, desporto, amizade, imóveis, mulher, saúde, classificados, auto, musica, videos, turismo, leilões, fotos

País regista menos mortes no parto

A mortalidade materna nas unidades de saúde, por causa de hemorragias, registou uma redução significativa, até Novembro do ano passado, informou, em Luanda, Mansitambi João Luz, do Departamento de Saúde Reprodutiva da Direcção Nacional de Saúde Pública.

Em 2016, as hemorragias provocaram a morte de 34 por cento de mulheres assistidas em unidades de saúde com serviços maternos, taxa que foi reduzida para 28 por cento até Novembro do ano passado, sendo estes dados ainda actuais.
Diferente da baixa nas hemorragias, nas unidades de atendimento materno, a toxemia (intoxicação resultante do excesso de toxinas acumuladas no sangue) provocou 25 por cento dos óbitos, representando uma subida de casos, mais cinco por cento em comparação com os dados de 2016.

Além das referidas complicações, antes, durante ou depois do parto, muitas mulheres tiveram problemas de ruptura uterina, o que causou dez por cento das mortes nos serviços maternos públicos, em 2017, a mesma estatística do ano anterior.

A sépsis puerperal (dez por cento), abortos (cinco) e a gravidez ectópica (um) são outras complicações registadas nas unidades de atendimento à mulher, no ano passado, de acordo com dados do relatório do Departamento de Saúde Reprodutiva.

Tendo em conta o crescente número de adolescentes grávidas, principalmente na zona rural, onde 49,3 por cento de mulheres dos 15 aos 19 anos já estiveram grávidas, o médico apela para a criação de outros programas sociais que possam evitar que os jovens iniciem a actividade sexual activa mais cedo.

Em Angola, pelo menos 35 por cento das jovens entre os 15 e os 19 anos já engravidou, sendo que as adolescentes que residem na área rural começam a vida reprodutiva muito mais cedo do que as da zona urbana, disse Mansitambi João Luz.

A maioria dessas mulheres, ou seja, 57,7 por cento, explicou o médico, não possui qualquer grau de escolaridade, 41,5 tem o ensino primário e só 24,8 frequenta o nível secundário e superior.

O gineco-obstetra manifestou ainda preocupação com o facto de apenas 38 por cento das crianças menores de seis meses que vivem com as mães biológicas serem amamentadas de forma exclusiva. “Mais grave é saber que 8,5 por cento desses bebés não mamam”, lamenta.

Por isso, o médico referiu-se ao Pacote Integrado de Serviços para acentuar que, em relação à saúde materna, recomenda-se o reforço das acções da atenção pré-natal, planeamento familiar, cuidado ao parto e ao recém-nascido, aconselhamento e a transferência de urgências obstétricas.

No sentido de evitar mortes maternas, o responsável salientou que é preciso que haja cuidados de qualidade antes, durante e depois do parto, abastecimento de sangue seguro, disposição de medicamentos essenciais (antibióticos e
ocitocina), contracepção e serviços de aborto seguro.

Mansitambi João Luz aconselhou ainda que “toda a morte materna deve ser contada, notificada, investigada, a sua causa registada e haver uma resposta para que a mesma não se repita.”
O médico falava no II simpósio do Departamento de Saúde Pública da Faculdade de Medicina da Universidade Agostinho
Neto, dedicado à discussão do tema “Fortalecimento do sistema de saúde local”.

Constrangimentos e desafios

O especialista considera como principais constrangimentos na área da saúde materna em Angola a insuficiência de recursos humanos qualificados para responder às necessidades em diferentes níveis, incluindo a distribuição e retenção de parteiras, e o acesso limitado aos serviços de saúde com cuidados obstétricos e neo-natais de urgência. A par disso, Mansitambi João Luz mencionou, igualmente, as debilidades do sistema de informação sanitária para orientar as decisões e as limitações de recursos financeiros como outros factores que afectam negativamente a área da saúde materna.

Esses constrangimentos, abrem grandes desafios para o sector, disse o médico. Assim, Mansitambi João Luz apela para a necessidade de se criar um sistema de saúde robusto, resoluto e resiliente, que prima pelo acesso universal, disponibilidade e continuidade de serviços (proximidade) e reforço dos recursos humanos.

A disponibilidade dos insumos (medicamentos, vacinas, contraceptivos, reagentes, kits de parto e sangue), sistema de informação e de recursos financeiros são desafios que, materializados, melhoram a assistência à mulher nas unidades de saúde.

O responsável avançou que, no fundo, é preciso que se aumente a cobertura de serviços básicos de saúde, principalmente nas zonas rurais e suburbanas, que haja maior disponibilidade de recursos humanos na área da saúde materna e envolvimento da comunidade nesses serviços.

Mansitambi João Luz considerou ainda como um dos grandes desafios a necessidade de se desenvolver um sistema integrado de informação em saúde para monitorização e avaliação dos planos, programas e projectos direccionados à assistência à mulher. (Jornal de Angola)

Deixe um comentário

Seu endereço de email não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Vamos supor que você está bem com isso, mas você pode optar por sair, se desejar. Aceitar Leia mais

Translate »