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Jazigos milionários à venda no Porto e em Lisboa

Nas duas maiores cidades, perto de metade dos funerais já é feita com cremação do corpo, mas a procura por jazigos continua em alta. No Porto, a Câmara está a ultimar um leilão para concessionar jazigos (hoje tem 500).

Em Lisboa, a próxima hasta pública será em 2019. No OLX, pedem-se dezenas de milhares de euros por jazigos, sobretudo nos Prazeres e no Alto de S. João, em Lisboa, mas também em Agramonte ou na Lapa, no Porto. O mais caro, com capacidade para 14 corpos, está à venda por 119 mil euros, o preço de um T0 no Grande Porto.

O valor excede em muito o habitual para jazigos, adiantou Carlos Almeida, presidente da Associação Nacional de Empresas Lutuosas, apesar de o preço variar em função da capacidade, da localização e do estado de conservação, ressalvou. Na Internet, são mais comuns preços em torno dos 30 ou 40 mil euros. A procura, disse Carlos Almeida, continua a existir: “As pessoas preferem o cemitério porque têm lá um cordão umbilical”.

Isso mesmo se constata nos leilões camarários. Porto, Braga e Lisboa são três exemplos de autarquias que tomam posse de jazigos e sepulturas dadas como abandonadas pelas famílias e que as voltam a concessionar, em hasta pública ou, depois, por ajuste direto.

Negócio para as Câmaras

O Porto está a ultimar uma hasta pública para concessionar jazigos e sepulturas perpétuas em Agramonte e no Prado do Repouso. Será a terceira desde 2012. Em carteira, tem meio milhar de espaços, disse fonte oficial. Em 2012, concessionou 29 jazigos, por 225,5 mil euros. Em 2014, em hasta pública, entregou dois espaços, por 23,3 mil euros. Seguiram-se ajustes diretos de 12 jazigos, por 63,7 mil euros. Em média, cada um foi concessionado por sete mil euros.

Em Lisboa, os valores são mais altos: 12 mil euros. No ano passado, houve duas hastas públicas de jazigos nos cemitérios de Benfica, Alto de S. João, Prazeres, Olivais e Ajuda. Fonte oficial da Autarquia esclareceu que foram a leilão 58 espaços, com o valor base de 503 mil euros. Acabaram concessionados 40, por 494 mil euros. No total, na cidade, há 15 510 jazigos particulares e 3381 foram dados como prescritos a favor da Câmara, 163 dos quais nos dois últimos anos. Para o próximo ano, estão agendadas duas hastas públicas.

Em Braga, a procura é grande e os 20 espaços concessionados este ano renderam 210 mil euros [ler ao lado]. Em Viana, o que faltam são sepulturas, já que não há grande procura por jazigos. O último leilão, feito em março deste ano, ficou deserto.

Muitas destas sepulturas foram tomadas pela Câmara por abandono. É o caso de Peso da Régua: na semana passada, a Câmara anunciou que vai declarar uma sepultura prescrita a favor do município. Foi abandonada há dez anos.

Mais cremações nas cidades

Espaços em jazigos ou sepulturas continuam a ser procurados pelas famílias, apesar do aumento do número de cremações. Em Lisboa, em 53% dos casos, as famílias já optam pela cremação. No Porto, as contas são dificultadas pelo facto de os três crematórios pertencerem a entidades diferentes (Câmara, uma empresa e uma Junta de Freguesia), mas o presidente da Associação de Agências Funerárias Portuguesas, Vítor Cristão, estima que rondem os 50%.

É de esperar que o número continue a crescer, mas o impacto na procura de cemitério será reduzido, pelo menos para já. Até porque, lembra Carlos Almeida, muitas famílias continuam a preferir guardar as cinzas em terreno sagrado, seguindo uma recomendação do Papa Francisco [ler ao lado].

O que é um jazigo?

É um espaço construído com capela, por norma com capacidade para vários corpos. Pode ser construído em altura ou subterrâneo. Alguns são obras de arquitetura ornadas com estatuária e vitrais. No Norte, é comum usar a palavra jazigo para descrever uma sepultura.

E uma sepultura?

Uma sepultura é térrea (sem capela), com uma profundidade de cerca de dois metros e coberta por uma laje, por norma de mármore. O caixão é colocado em terra. Pode estar concessionada a uma pessoa particular ou estar no domínio público (de uma Câmara Municipal ou Junta de Freguesia) ou religioso (ordens religiosas).

Sepulturas públicas

As famílias que não tenham uma sepultura podem lá colocar um corpo, mediante o pagamento de uma taxa. São usadas durante alguns anos, até que o corpo esteja reduzido a ossos e seja transladado.

Depósito de cinzas

As urnas com cinzas podem ser colocadas em cendrários (compartimentos semelhantes a ossários) ou columbários (espaços coletivos, não assinalados, onde as cinzas são deixadas na terra ou em urnas biodegradáveis). (Jornal de Notícias)

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