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Marcelo “não sabe” se caso de Tancos poderá abrir crise política

“Eu sei lá o que é que a investigação apura”, diz o Presidente da República, para quem é “prematuro” falar desse cenário.

O Presidente da República foi questionado, esta quarta-feira, sobre se teme uma crise política provocada pelo caso de Tancos e respondeu cautelosamente que não sabe o que a investigação pode apurar, acrescentando que é prematuro fazer juízos dessa natureza.

Perante a pergunta da comunicação social, feita à saída de uma iniciativa na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa fez uma pausa de três segundos e depois afirmou: “Não sabendo das conclusões da investigação, eu sei lá o que é que a investigação apura.”

“Mas, olhando para aquilo que se apurou até hoje, é prematuro estar a fazer juízos dessa natureza. Agora vamos esperar. Quanto mais depressa houver o atingir as conclusões, melhor. Os portugueses é isso que desejam. É isso que o Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas deseja”, acrescentou.
“Sem pressionar, nem condicionar a autonomia do Ministério Público, que se apure o que há a apurar, tudo”, apelou.

Marcelo Rebelo de Sousa considerou que aquilo que tem dito sobre o caso do desaparecimento de armas do paiol nacional de Tancos e o seu posterior reaparecimento “é o máximo que o Presidente da República pode dizer, para não ser acusado de pressionar o Ministério Público, que é autónomo”.

“Respeitando a autonomia do Ministério Público, quanto mais cedo for possível conhecer as conclusões da investigação, melhor”, insistiu o chefe de Estado.

Antes, referiu que anda “há um ano e meio” a repetir que “é preciso apurar tudo, de alto abaixo, doa a quem doer” e que “é fundamental a instrução criminal”.

Relativamente à investigação judicial em curso, no seu entender, “houve um salto qualitativo” quando se realizou “a primeira comunicação pública do Ministério Público relativamente à recuperação de armamento”, no final de setembro deste ano.

Esse “salto qualitativo” foi relativo “à parte final da história” de Tancos e “não à parte intermédia, nem à primeira parte” deste caso, salientou.

“Em relação a essa parte final da história, havia uma divulgação de dados que mostravam como a investigação tinha sido conduzida e estava a produzir os seus efeitos”, prosseguiu Marcelo Rebelo de Sousa.

O Presidente da República, que falava no final de uma conferência sobre o Plano Nacional de Leitura, foi interrogado se este caso daria um livro e retorquiu: “Eu nem sei se não deu já livros sobre isso. Ainda não saiu nenhum livro sobre a matéria?”.

Em seguida, reafirmou que “só depois de apurados os resultados da investigação criminal é que é possível formular uma opinião concreta, exata sobre o que sucedeu”.

“É muito importante perceber o que se passou na recuperação, mas não é menos importante perceber – como para haver armas recuperadas é preciso ter havido armas desaparecidas – como ocorreu o desaparecimento, para onde, onde é que estiveram as armas até ao momento em que foram recuperadas”, reiterou.

Questionado sobre a listagem do material recuperado de Tancos que foi enviada para a Assembleia da República, Marcelo Rebelo de Sousa realçou que isso está na esfera parlamentar e que há separação de poderes.

O Presidente da República disse ainda não ter tido “a oportunidade de verificar o que foi divulgado e que teve eco público” e fazer a comparação com notícias anteriores de que havia “material a mais e material a menos” face ao que tinha sido levado de Tancos.

Sobre a decisão do Ministério Público de entregar esta documentação ao parlamento quando há uma investigação judicial em curso, observou: “Como se sabe, foi uma decisão da senhora procuradora-geral da República. E agora, pelo que vi, mantida ou clarificada pelo senhor procurador que acompanha o caso. Portanto, significa que foi por quem tinha poder para o fazer”. (Renascença)

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