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“Muzongué da Tradição” vai homenagear Bonga

Barceló de Carvalho “Bonga” e a sua banda vão ser homenageados no “Muzongué da Tradição”, no dia 11 de Novembro, no Centro Recreativo e Cultural Kilamba, em Luanda.

Com um vasto repertório de êxitos, em 46 anos de carreira, Bonga, o aclamado embaixador da música angolana, entra na lista dos homenageados, que integram Ki-tuxi, Marito, Sam Manguana, Matadidi, os grupos Jovens do Prenda, os Kiezos, e Bongos do Lobito.

O cantor e compositor que chega a Luanda, depois de comemorar em espectáculo realizado em Lisboa, 76 anos de idade, vai interpretar no Kilamba, quase todas as canções recheadas de sátira e saberes populares, para apimentar o cardápio dos convivas e amantes da música angolana.

Também vão fazer parte do show os colegas Lulas da Paixão, Calabeto, Dina Santos e Cristo, com o suporte da Banda Movimento.

O espectáculo de homenagem levará centenas de admiradores do artista e convidados a um reencontro com o passado, através da música.

O responsável do Centro Cultural, Estêvão Costa, disse tratar-se de um programa especial por coincidir com o 43.º aniversário da proclamação da Independência, embora contrarie o calendário do evento cultural que se realiza no primeiro domingo de cada mês.

Sobre o reconhecimento tardio àquele que é um dos mais internacionais cantores da música angolana, Estêvão Costa fez saber que tal se deve à apertada agenda do artista. “Bonga reside no exterior, tem uma agenda complicada e as poucas vezes que tivemos a oportunidade de contar com ele no Kilamba não foi possível negociar um concerto”, disse. O “Muzongué da Tradição” teve início em Fevereiro de 2007, e visa promover, divulgar e valorizar a música angolana produzida nas décadas de 60, 70 e 80.

A iniciativa faz parte da grelha de programas do Cen-tro Recreativo e Cultural Ki-lamba, ex-Centro Cultural Maria Escrequenha.

Vida e obra em livro

O livro “Bonga – Marcas na Oralidade Angolana”, do jornalista Filomeno Pascoal, foi apresentado, quinta-feira, em Lisboa, pela Perfil Criativo-Edições.

Fruto de uma monografia apresentada em 2008, o livro centra-se na análise temática e na identificação das marcas da oralidade nos textos musicais de Bonga, textos esses representados por três músicas do período colonial e três do pós-independência, incluindo ainda uma sugestão de plano de aulas.

De acordo com o editor da obra, João Rodrigues, permite criar uma sincronia entre a literatura e a música, sem esquecer o tempo histórico, revelando Bonga Kwenda como um verdadeiro músico de intervenção.

O livro, segundo João Ro-drigues, é mais um exemplo da afirmação de uma nova geração que se recusa a ficar de fora do processo de modernização e desenvolvimento cultural sustentável de Angola.

“É seguramente um ge-neroso contributo contra o esquecimento, e na promoção dos valores multiculturais angolanos”, disse João Rodrigues. Por sua vez, Barceló de Carvalho disse que a história do livro começa em 2006, quando foi contactado pelo estudante Filomeno Pascoal, “um jovem atrevido”.

“Ligou-me e disse: “Kota gosto muito das tuas músicas, do teu jeito de contar a nossa história, da maneira como abordas os assuntos sociais, políticos e, acima de tudo, à defesa e preservação da nossa identidade cultural.
Por isso, quero fazer o meu trabalho de fim do curso de licenciatura abordando a sua história de vida, a sua música, associada à literatura oral an-golana e, como é óbvio, pensei que não ia dar em nada, mas no fundo senti-me acarinhado e acabei por dar total apoio à realização do estudo.”

Em 2018, o trabalho ganhou a forma de livro, um estudo académico sobre a música de Bonga e a História de Angola, que é uma grande homenagem a África.

Bonga ressaltou a coragem, a ousadia e a força do querer deste jovem, num tempo muito pouco “normal”, onde falar de Bonga e das suas músicas era proibido.

O autor começa por apresentar Bonga desde a sua infância, adolescência, os seus primeiros passos na música até ao sucesso artístico, sem esquecer o percurso como campeão de atletismo na antiga metrópole.

O autor da obra disse que o trabalho dá a conhecer melhor a vida de Barceló de Carvalho. Filomeno Pascoal é natural de Luanda, tem 34 anos de idade, é jornalista e professor. Como professor universitário iniciou a sua carreira em 2008, em diversas universidades de Luanda: Lusíada, Independente, Gregório Semedo e no Seminário Maior de Luanda. (Jornal de Angola)

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