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Menino de quatro anos violado e morto em Luanda

O crime, cuja vítima se chamou Alexandre Ndala, de 4 anos, aconteceu no Bairro Dangereaux, na tarde de Quarta-feira, 10. O menino, que estava a brincar perto de casa, esteve desaparecido durante 24 horas e apareceu morto, com sinais de agressão física e de abuso sexual. É o segundo caso, neste bairro em um ano.

Leandro, como era carinhosamente chamado, foi encontrado de barriga para baixo numa obra abandonada, a aproximadamente 50 metros de sua casa, com sinais de sangramento na boca e nas narinas, 24h depois de estar desaparecido. A mãe, que amargamente tentava perceber a situação, não parava de chorar. João Madureira, de 36 anos, o tio do menino, conta que Leandro estava a brincar com outras crianças, por baixo de uma árvore que fica a 10 metros de casa, quando eram 14h de Terça-feira.

A dada altura ausentou-se para ir a casa do vizinho buscar o irmão mais novo, e voltou a brincar no mesmo sítio. Os meninos distraíram-se, Leandro voltou a sair e ficou desaparecido. A mãe, Domingas Ndala, de 39 anos, começou as buscas no bairro, tendo ido parar até ao Bonde Chapé, Fubu e Projecto Nova Vida. Contactou os órgãos de comunicação social, como a Tv Zimbo e a Rádio Mais para que divulgassem o desaparecimento do menino.

No mesmo processo de procura de Leandro estava o pai, Alexandre Bira, que só pararam quando receberam a triste notícia de que o menino tinha aparecido já sem vida, perto de casa. “As outras crianças com as quais brincava apenas disseram que viram-no a descer para ir buscar o irmão e que quando desapareceu ninguém soube dizer”, disse o tio.

O local onde a criança foi encontrada morta é uma construção abandonada há muito tempo. A violação sexual era uma incógnita até que a autopsia feita na morgue do Hospital Maria Pia veio a confirmar que Leandro, antes de ser asfixiado até à morte, tinha sido abusado sexualmente. “Eu só quero perguntar: perto da obra tem um guarda da antena da Unitel, será que ele não viu o movimento? As crianças disseram que lhe viram a descer sozinho para aquelas imediações”, conta a mãe, que acrescentou que o segurança é uma pessoa suspeita no bairro, de práticas ocultas, pelo que está detido preventivamente.

O segurança da antena é tido como o principal suspeito do crime e a Polícia o deteve. A vizinhança entrou no mesmo diapasão, alegando que o comportamento do referido segurança, que deve estar na casa dos 40 anos, é estranho. A Polícia local investiga o caso.

Segunda criança a morrer da mesma forma Em Abril de 2017, a mesma equipa do jornal OPAÍS esteve no bairro Dangereaux, três travessas antes da zona onde vivem os pais de Leandro, onde reportamos a morte da pequena Elisa David Jamba, de 7 anos, que tinha sido violada e posteriormente morta.

Elizete, como era chamada, foi encontrada sentada nas pedrinhas de uma vizinha, a aproximadamente 100 metros de sua casa, com hematomas na cabeça, pescoço partido e sem a roupa interior, por volta das 5h da manhã. O pai, Cornélio Jamba, de 52 anos, contou-nos que a menina ainda jantou com a família e depois das 21h julgava-se que tinha adormecido. Uma das irmãs terá saído para acompanhar uma amiga e acredita que foi nesta altura que Elizete foi parar a rua seguindo a irmã.

Na manhã do dia seguinte foi dada como desaparecida e às 5h foi encontrada sem vida. Enquanto falava com a nossa equipa, Cornélio mostrou que acreditava que o violador “não é alguém desconhecido. A menina deve ter-lhe reconhecido e, por isso, decidiu matá-la”. A roupa interior da menina foi encontrada a 5 metros do corpo e ao lado havia dois preservativos usados. A dona da casa em que foi colocado o corpo da menina dissera não ter ouvido nada, apenas acordou e encontrou a vítima sentada nas pedrinhas, já morta. (O País)

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