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Cidadão que perdeu a mulher e filha em dois dias clama por justiça

Felisberto Neto, de 46 anos, perdeu a mulher, Helena Domingos, vítima de um latrocínio (roubo seguido de morte). Helena foi assaltada na pedonal do bairro da Lixeira, no Golfe II, esfaqueada e lançada de lá para baixo, onde veio a ser atropelada mortalmente. A sua mulher vinha do Hospital Geral de Luanda, onde estava internada a filha do casal que tinha sido violada, e que veio a falecer dois dias depois da mãe.

O ar de tristeza ainda mora no rosto do cidadão Felisberto Neto, marido e pai das malogradas, que tudo o que mais precisa é ver a justiça a ser feita, ou pesar sobre aqueles que fizeram mal àquelas duas mulheres. O azar na sua vida começou no dia 12 de Setembro, quando a sua filha Rosalina Felisberto, de 17 anos, foi abusada sexualmente por marginais, no bairro Mundial, próximo de casa.

A menina foi encontrada por volta das 22 horas numa residência abandonada. Os marginais, para além de a terem violado sexualmente, agrediram-na, o que fez com que ficasse dois dias em coma, no Hospital Geral de Luanda. Dada a gravidade dos ferimentos, no dia 4 de Outubro perdeu a vida. Ficou acamada durante três semanas, fez seis transfusões de sangue e ainda sim não mostrava evolução.

O pai disse que já tinha perdido a esperança, porque a menina não falava, apenas olhava e lagrimava. Felisberto Neto é militar e antes trabalhava no Cuando Cubango, na 50ª Brigada de Infantaria Motorizada. Depois da sua transferência para Luanda, ficou separado da mulher, que decidiu levar os filhos e viverem no bairro Mundial, numa outra residência do casal, deixando-o sozinho no bairro Catinton.

Várias vezes alertou a sua família para evitarem andar à noite no bairro Mundial, pelo facto de ser uma zona melindrosa. “O que me surpreende é que no dia 12 de manhã saio de casa sem o telefone, então a minha segunda esposa segue-me a correr com o telefone e diz que a minha filha no Mundial tinha sido violada pelos bandidos.

Quando ligo de volta dizem-me que foi encontrada numa obra abandonada quase morta e já havia sido levada ao Hospital”, conta. Já no dia 1 de Outubro, por volta das 22 horas, recebe a triste notícia de que a sua esposa havia sido atropelada. Com alguns vizinhos, foram até ao Hospital Maria Pia, onde encontraram o corpo dentro do carro da polícia.

Segundo as testemunhas, por volta das 19 horas, Helena Domingos decidiu atravessar a rua pela passagem aérea (ponte pedomal), sem saber que do outro lado havia marginais à sua espera. Helena Domingos, que tomava conta da menina no hospital, foi assaltada na pedonal do bairro da Lixeira, no Golfe II, esfaqueada, jogada desta para baixo, onde veio a ser atropelada mortalmente.

Atacada por quatro jovens

Helena Domingos foi atacada por quatro bandidos, tentou lutar com eles, mas foi esfaqueada no abdómem e ao tentar fugir foi empurrada, caiu da ponte e foi atropelada mortalmente. A viatura que a atropelou também fugiu. “Ela é quem cuidava da menina no hospital e isso criou outros transtornos na minha vida. Com o óbito, pedi a uma sobrinha para ficar com a menina no hospital.

Mas passados dois dias a minha sobrinha liga a dizer que a menina havia piorado e estava ligada à máquina de oxigénio. Por volta das 16h:00 ela regressa a chorar e anunciando a sua morte. Fiquei gelado, não conseguia acreditar em tamanha tragédia. Tudo o que espero é que justiça seja feita”, pede. Felisberto Neto disse que as duas mulheres da sua vida foram enterradas no passado Sábado, dia 7 de Outubro, pelas 10 horas, no cemitério do Benfica, em Luanda.

Acredita que a sua filha morreu também porque sentiu a falta da mãe, pois era ela quem lhe dava o banho, a alimentava e dela cuidava todos os dias. “Que esses marginais paguem pelo que fizeram. Também sei que a minha família não é a única vítima, mas espero que eles paguem”, clama, tendo acrescentado que já fez queixa à Polícia e prenderam alguns dos delinquentes, mas nenhum deles confessou o crime.
(O País)

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