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Cidadãos obrigados a viver com aterro sanitário “improvisado” em Benguela

Os moradores no bairro do Autódromo, arredores do município de Benguela, pedem que se pare de depositar lixo na zona, por atentar contra a saúde pública. Como exemplo, revelam que as crianças estão a contrair doenças diarreicas e vómitos

A zona transformou-se num centro de depósito de lixo para o qual convergem carrinhas e camiões transportando resíduos sólidos, produzidos pelos moradores de bairros circunvizinhos, como Kalohombo, Kasseke, Dokota, entre outros. Diariamente, além desses transportes, motorizadas de três rodas, vulgarmente conhecidas como Kaleluya, fazem-se à zona, carregadas igualmente de lixo, depois de recolha à porta de casa na cidade.

Os moradores mostram-se agastados com a situação, uma vez que são obrigados, com todos os riscos, a conviver com vermes, moscas, ratos, baratas, que têm o lixo como seu habitat preferencial. No período da tarde, para os moradores, torna-se quase impossível manter-se no interior de casa, por serem constantemente invadidos pelas moscas que se assumem já como vizinhas por direito.

Na hora da refeição, para não serem incomodados pelos “vizinhos”, vêm-se obrigados a cobrir-se com mosquiteiro, para não correr o risco de engolir moscas, em vez de comida. No quarto, na sala, na cozinha, não importa o lugar, os insectos fazem das suas e ocupam todos os compartimentos da casa e alojam-se nos móveis.

O cenário é desolador. Não bastassem os insectos e ratos a circundarem-nos, os moradores queixam igualmente da escassez de água, pelo que são obrigados a percorrer longas distâncias à procura do precioso líquido. Aparentemente abatida face ao cenário de carência vigente, Catarina Tembo, há seis meses a residir no bairro, pede que as autoridades administrativas de Benguela resolvam o problema, por estar em jogo a sua saúde, com destaque para a das crianças, a franja mais vulnerável. “Pedimos ao Governo para nos tirar esse lixo daqui”, disse à reportagem do jornal OPAÍS.

“A gente vai buscar água, quando põe lá dentro fica já cheia de moscas e é beber mesmo com as moscas. Estamos a passar mal. Não temos água, pagamos por cada bidão (20 litros) 30 kwanzas”, lamenta a senhora Julieta Chilombo. Domingos Gelemba, outro morador, desabafa que “o lixo está demais. O povo está a ficar doente. Queremos que o Governo faça qualquer coisa para a gente ficar melhor. Não temos água e sabão, os nossos filhos estão sujos”.

Sem precisar há quanto tempo se deposita lixo à frente da sua residência, o morador disse apenas que o lixo é proveniente do casco urbano e da Vila das Acácias. “É muita mosca. Aqui as crianças queixam-se de diarreia e vómito”, frisou. Os esforços do jornal OPAÍS para obter uma versão institucional redundaram em fracasso.

Este jornal não obteve êxitos nas duas ligações telefónicas efectuadas para o contacto com o director do Gabinete Provincial do Ambiente, Gestão de Resíduos e Serviços comunitários, Elmano Inácio. Entretanto, uma fonte do Governo Provincial confidenciou a este jornal que o governador em exercício, Leopoldo Muhongo, deslocou-se Quinta-feira ao local e orientou que se remova imediatamente o lixo de perto das residências.

Na manhã de Sábado, Leopoldo voltou ao local, a fim de constatar se as orientações baixadas estavam a ser observadas. Refira-se que o quadro de recolha de resíduos deteriorou-se quando o Governo de Benguela rompeu, unilateralmente, o contrato que vinha mantendo com as empresas de recolha de lixo por alegada incapacidade financeira. A recolha porta-a-porta foi o modelo encontrado pelas autoridades para mitigar o problema.

De acordo com dados oficiais, a dívida do Executivo para com as operadoras, até aqui contabilizada, rondam os 16 mil milhões de kwanzas. (O País)

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