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Prostituição ‘toma conta’ da cidade de Cabinda

Para além de cidadãs nacionais, o mercado da prostituição na província mais a Norte do país também é preenchido por estrangeiras, sobretudo provenientes dos Congos Brazzaville e Democrático

O casco urbano da cidade de Cabinda regista, nos últimos tempos, uma crescente onda de prostituição, sobretudo de jovens e adolescentes provenientes de vários cantos da província, de onde fogem das dificuldade sociais para ganharem a vida na calçada e nos principais pontos de concentração de pessoas.

Tal como constatou OPAIS durante um périplo aos principais pontos da cidade, o Largo do Ambiente, a Rua da Polónia, o espaço adjacente às bombas da Sonangol, a rua direita do Sporting Futebol de Cabinda e o Largo 1º de Maio são alguns dos locais com maior concentração de trabalhadoras do sexo.

Grande parte destas ‘operadoras’ são raparigas com idades compreendidas entre os 18 e 25 anos de idade que, a partir das 18 horas, deambulam de um lado para o outro esperando pelo sinal de potenciais clientes que, na sua maioria, são turistas, nacionais, estrangeiros e comerciantes.

Conforme apuramos, o aumento da prostituição naquela parcela do território nacional, tida como uma das regiões de maior preservação dos valores morais e culturais, deve-se aos níveis alarmantes de desemprego que a província vem registando, resultantes da actual conjuntura económica que o país está a viver. Grande parte dos maridos, amantes e pais destas mulheres eram funcionários de médias e grandes empresas que operavam no ‘enclave’, mas que, devido à crise, foram despedidos, o que forçou a redução dos rendimentos domésticos.

No entanto, para continuarem a seguir com a vida e sustentar a família e, muitas vezes, os próprios maridos desempregados, as mulheres são obrigadas a ‘comercializar prazeres’ nas ruas a preços que oscilam entre os 3500 aos seis mil kwanzas. Este valor, em alguns casos, pode ser acrescentado, caso o cliente decida passar mais horas ou a noite com estas mulheres que, conforme revelaram, correm sérios riscos porque deparam-se, muitas vezes, com homens agressivos . “O dinheiro que ganhamos não compensa o risco que corremos.

Há clientes que não pagam e muitas vezes até nos ameaçam de morte. Mas como temos necessidades e família para sustentar, aceitamos nos submeter a esses maus-tratos. Mas é muito arriscado”, desabafou uma delas, identificada (a seu pedido) por A. Patrícia, de 21 anos de idade. Outra das que correm este risco é Nandinha F., que, todos os dias, fica na rua do Sporting Futebol de Cabinda.

Em conversa com o OPAÍS, a jovem, de 28 anos de idade, disse que trabalhava, até o ano passado, como cozinheira de uma empresa de construção civil. Porém, devido à crise, foi despedida e teve de ir parar a rua para continuar a sustentar os três filhos cujo pai, estrangeiro, os abandonou. “Se o pai apoiasse não haveria necessidade de estar aqui, na rua. Mas, infelizmente, sou pai e mãe para os meus filhos. Só por isso é que faço esse tipo de trabalho”, lamentou. (O País)

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