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Curdistão iraquiano elege parlamento um ano após fracassado referendo

O Curdistão iraquiano elege no domingo um novo parlamento regional, um ano depois do fracassado referendo sobre a independência que levou à perda das zonas petrolíferas que disputava com o governo central de Bagdad.

O referendo, realizado a 25 de setembro de 2017 e marcado por mais de 90% dos votos a favor da independência, foi “uma iniciativa infeliz baseada numa decisão arriscada de Massud Barzani”, então presidente do Curdistão, considerou um especialista em relações internacionais, Karim Pakzad, ouvido pela agência France-Presse.

A consulta, a que o Iraque e a comunidade internacional se opuseram, “fez o Curdistão retroceder 10 anos”, porque “as sanções das autoridades iraquianas e os encerramentos temporários de postos de fronteira” com a Turquia e o Irão “tiveram consequências catastróficas no plano económico”, segundo o mesmo analista.

Além de que, como represália pelo referendo, as forças de Bagdad retomaram em poucos dias a cidade e a província de Kirkuk, rica em petróleo, que estava sob controlo dos curdos desde 2014, quando o exército iraquiano fugiu do avanço dos ‘jihadistas’ do grupo Estado Islâmico.

No próximo domingo, 673 candidatos de 29 movimentos políticos vão disputar os 111 assentos do parlamento da região, autónoma desde 1991 e a única província do Iraque com um governo e uma assembleia regional.

Para muitos curdos, o muito que perderam com o referendo não pode ser recuperado nestas eleições regionais.

O parlamento regional é atualmente dominado, com 38 deputados, pelo Partido Democrático do Curdistão (PDK), liderado por Massud Barzani, filho do histórico líder nacionalista curdo Mustapha Barzani (1903-1979).

O maior partido da oposição é atualmente o Goran (mudança, em curdo], que tem 24 deputados, depois de décadas de domínio partilhado entre o PDK e a União Patriótica do Curdistão (UPK), atualmente com 18 deputados.

O ‘statu quo’ que mantinha o equilíbrio entre as duas formações tradicionais quebrou-se com a renúncia de Massud Barzani, que presidiu à região entre 2005 e 2017 e que não foi substituído, estando as suas funções temporariamente atribuídas ao parlamento e ao governo regional. (Notícias ao Minuto)

por Lusa

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