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André Soma ‘atira’ famílias para obras inacabadas

Mais de 80 famílias que viviam entre os separadores da estrada da rua da Dira, na famosa Ilha Seca, no Zango III, em Viana, começaram a ser realojadas na quarta-feira, no projecto Bento Kangamba (BK), sem as mínimas condições de acomodação e higiene. Os moradores acusam a Administração Municipal de Viana de má-fé.

No projecto BK ainda não estão criadas as condições de habitabilidade para todas as famílias abrangidas no realojamento, como verificou o NJOnline no local, onde falta água, luz eléctrica e saneamento básico.

Constância Pimentel, moradora há sete anos na Ilha Seca, agora realojada nas casas BK, no Zango III, contou que as condições a que foram submetidas são desumanas.

“Se o governo está a nos fazer um favor, então está a fazer um mau favor, porque as casas não têm portas nem janelas, o chão não está cimentado, não temos fossas, há capim por todo o lado, parece que estamos na mata”, disse.

“A casa que estão a nos dar não têm condições, se já esperamos sete anos, pelo menos que nos dessem casas com portas e janelas e casas de banho. Não sei como é que os nossos dirigentes permitem isto”, lamentou outra moradora.

E, sem parar, atirou na conversa com o NJOnline: “Se querem corrigir o que está mal, não é a nos tirar do pior para o mal. Porque nós estamos sem segurança e sem condições na mesma”, lamentou Teresa Gaspar Domingos de 72 anos.

Domingos António, também morador, diz não sentir a solidariedade da Administração Municipal de Viana, pese embora reconheça que era grande o sofrimento em que viviam nas casas de chapas de zinco, com quase 2,5 m de altura, construídas no meio de uma estrada com muito trânsito, principalmente nas manhãs e às noites.

“Neste momento, não estamos felizes, as condições aqui são desumanas, estávamos à espera por esse momento há sete anos, e não é aquilo que pensávamos receber, hoje apenas recebemos obras, inacabadas, para vivermos com as nossas famílias. Assim sendo, iremos viver com os mesmos problemas de sempre, onde cada elemento faz a sua necessidade maior nos secos e vai deitar no capim”, descreveu.

De referir que esses moradores viviam há sete anos entre os separadores da estrada da rua da Dira, também conhecida como ” Ilha Seca”, em casebres de chapas sem segurança e com fortes risco de atropelamentos.

São no total 126 famílias foram desalojadas pelas fortes chuvas que inundaram e destruíram as suas casas nos bairros do Jika no Alvalade e na Vila Nova, (por de trás da Comarca de Viana) e do reassentamento do Cemitério de Viana, em 2012.

Administração de Viana diz que as pessoas estão agora melhor

Já o administrador municipal adjunto para a área Técnica, Infra-estrutura e Serviços Comunitários, da Administração Municipal de Viana, Fernando Binge, em declarações ao NJOnline, disse que as casas têm paredes e tectos, o que é importante tendo em conta os riscos que essas pessoas corriam estando no antigo local.

“Achamos por bem tirar já as pessoas do risco de vida que corriam para estás condições mínimas, porque na verdade ali, os carros não respeitavam os limites de velocidade e tínhamos quase todas as semanas atropelamento, principalmente às noites”, disse.

“O resto vai se concluir com as pessoas a viverem aí, vamos por água e energia eléctrica mas as próprias pessoas vão ter mesmo de comprar as portas e janelas e colocarem as fossas porque o Estado não pode fazer tudo”, referiu Fernando Binge.

Segundo este responsável da Administração Municipal de Viana, o Estado já deu uma mão aos visados e agora cada munícipe terá mesmo de fazer os acabamentos da sua residência.

Há mais 30 famílias desalojadas à espera – administração fala em oportunismo

Entretanto, o NJOnline constatou no local a existência de mais de 30 famílias que foram desalojadas pela Administração Municipal de Viana e estão ao relento na esperança de serem realojadas no projecto Bento Kangamba (BK).

Daniel Sebastião Domingos, que vive há sete anos nas casas de chapas da Ilha Seca, diz que fez o cadastramento o ano passado e que a sua casa também foi destruída mas não foi realojado.

“Os fiscais vieram com uma lista com nomes de pessoas fantasmas que nem sequer vivem aqui, nós nos conhecemos todos e estamos surpreendidos como é que estão a realojar pessoas que surgiram do dia para noite, e nós não”, lamentou.

“Há muitos infiltrados, nós somos no total 126 famílias, mas a administração só realojou metade e não nos dizem nada. Há pessoas que não tinham casas e nem viviam aqui, na altura do realojamento apareceram muitas pessoas desconhecidas e começaram a se infiltrar a mando dos fiscais da Administração Municipal de Viana”, contaram ao NJOnline Mariana Aida Cassidelalo e Beatriz Jaime ambas mães de seis filhos que viram suas casas destruídas e não foram realojadas.

Vários moradores acusam os fiscais da Administração Municipal de Viana de os afastarem do processo de realojamento, as verdadeiras famílias, em troca de valores monetários.

“Nós conhecemos todos que moravam aqui, nos tiraram de casa de madrugada e até aqui estamos na rua. Os que vieram de fora são os que têm casas, fomos cadastrados pela Administração Municipal de Viana no princípio do ano, e há pessoas que vieram passar a noite no último dia e foram realojadas”, denunciam.

Em resposta, o administrador municipal adjunto para a área Técnica, Infra-estrutura e Serviços Comunitários, da Administração Municipal de Viana, salienta que os mesmos são oportunistas que querem enganar o Estado.

“Essas pessoas ocuparam aquele espaço ilicitamente e têm origens duvidosas, porque alguns alegam terem vindo do ponto provisório do reassentamento do Cemitério de Viana, mas nós sabemos que todas aquelas pessoas foram atendidas na gestão do ex-Governador Provincial de Luanda Bento Bento, em 2012”, disse Fernando Binge.

O responsável disse ainda que todas as pessoas que foram realojadas na terça-feira, 25, fazem parte da lista, pese embora reconheça existirem “usurpadores”.

“Recebemos denúncias que há pessoas que não habitavam naquele perímetro e que foram alistados, mas o Serviço de Investigação Criminal já está a trabalhar na veracidade dos factos para responsabilizá-los”, avisou.

“Nós cercamos a área de madrugada, ninguém entrou e ninguém saiu. Entramos em casebres que não havia nada e sem sinais de serem habitados, mas, algumas pessoas, apercebendo-se que a Administração haveria de realojar aquelas famílias, foram lá residir”, contou Fernando Binge. (Novo Jornal Online)

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