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Solteiros são os que mais consomem drogas no país

Os solteiros são as pessoas que mais consomem drogas, lícitas e ilícitas, em Angola, revela, em relatório, o Instituto Nacional de Luta contra as Drogas (INALUD), que utilizou uma amostra de 2017, elaborada com base em dados de instituições que atendem casos de toxicodependentes e de consumidores de álcool.

Dos 7.616 consumidores de drogas registados no ano passado, 96 são solteiros, seguindo-se indivíduos com o nível médio de escolaridade, 60 casos, e depois desempregados, 45.

A faixa etária com maior número de consumidores, na amostra que deu origem ao relatório, é dos 20 aos 24 anos, com 706 consumidores, aparecendo depois a faixa etária dos 15 aos 19 anos, com 633 consumidores.

A faixa etária com menor número de consumidores é dos 45 anos aos 65 anos em diante, enquanto a droga mais consumida é o álcool, com 60 consumidores na amostra em referência, aparecendo a seguir a liamba, com 41 casos. Dos 7.616 inquiridos, 7.549 disseram consumir liamba e álcool.

A maior parte dos consumidores utiliza a via oral – beber e fumar -, sendo a via injectável muito reduzida. O Instituto Nacional de Luta contra as Drogas sugere, no relatório, a melhoria da monitorização das fronteiras.
Quanto à monitorização, o problema reside principalmente na implementação da fiscalização da lei que proíbe a venda de bebidas alcoólicas a menores de 18 anos. O combate à venda de bebidas alcoólicas em locais não indicados, impróprios e em hora não apropriada foi também mencionada no relatório.

O documento dá ênfase à necessidade de haver uma pesquisa mais profunda sobre a ingestão de bebidas alcoólicas e liamba na faixa etária dos 14 aos 35 anos e de elaboração e aprovação das leis sobre o regime de venda de bebidas alcoólicas e contra o tabaco em Angola.

No ano passado, de acordo com o documento, foram detidas 1.704 pessoas por tráfico de drogas, sendo 1.438 homens e 266 mulheres. As companhias aéreas com maior número de apreensões de drogas são as Linhas Aéreas de Angola (TAAG), com 92 por cento, a da Nigéria (ARIK), com 6,5 por cento e a sul-africana (SAA), com 0,88 por cento.

As rotas mais usadas pelos traficante são São Paulo-Luanda e São Paulo-Lagos-Luanda, lê-se no relatório do Instituto Nacional de Luta contra as Drogas, que utilizou, para a produção do documento, dados fornecidos pelo Centro de Investigação de Medicamentos e Toxicologia (CIMETOX), Julgado de Menores, Remar Angola, Hospital Psiquiátrico de Luanda, Fazenda Esperança, as ONG “Cruz Azul”, “Desafio Jovem”, “Belém”, afectos a igrejas, e o Serviço de Investigação Criminal (SIC).

Os números fornecidos ao instituto são de Luanda, Benguela, Namibe, Huambo, Bengo e Malanje.

Instabilidade familiar

O instituto não faz referência a mortes relacionadas com o consumo de drogas, mas distribui os números pelas instituições que contribuíram para a produção do relatório.

No rol de 7.616 consumidores de drogas lícitas e ilícitas estão 3.803 que deram entrada na sala de emergências/unidade de traumas do Hospital Psiquiátrico de Luanda.

O Julgado de Menores registou 51 casos de menores em conflito com a lei devido ao consumo de drogas, 36 dos quais sob processos de protecção social e 15 de prevenção criminal.

A directora-geral do Instituto Nacional de Luta contra as Drogas, Ana Graça, declarou que as principais causas do consumo de drogas são o desemprego, o difícil acesso ao ensino e a instabilidade familiar.

“A instabilidade familiar tem como consequência a desistência escolar, provocando ao aluno a insegurança emocional, o que o impede de continuar com a formação académica”, acentuou Ana Graça. (Jornal de Angola)

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