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Cidade que mais encantou colonialistas celebra 106 anos com desafios enormes

A cidade do Huambo, que mais encantou os colonialistas portugueses em Angola, celebra hoje, sexta-feira, 106 anos desde a sua fundação, pelo então governador-geral de Angola, general José Mendes Ribeiro Norton de Matos.

Totalmente recuperada dos destroços causados pelos longos anos de conflito armado, a urbe, que em 1928 foi proposta à capital do país, pelo então governador-geral de Angola, Vicente Ferreira, que a baptizou de Nova Lisboa, vive uma fase de novos e enormes desafios.

Além da manutenção do seu peculiar perfil arquitectónico, a cidade vem encetando um conjunto de acções que a poderão tornar, a médio prazo, na 1ª capital ecológica do país, um desafio assumido pelas autoridades em 2007.

A assumpção deste desafio tem engajado o governo e seus parceiros sociais a um amplo trabalho de preservação dos espaços verdes, manutenção do saneamento da urbe e educação ambiental da população local.

Aos poucos, vê-se uma cidade mais limpa, mais verde e auto-sustentável ambientalmente, o que está, seguramente, a contribuir para o reforço da distinção de Huambo capital ecológica e na melhoria da própria saúde pública, com vista à promoção do bem-estar da população.

Paralelamente ao desafio de transformar-se na capital ecológica do país, as autoridades também esmeram-se, ao máximo, para resgatar a tradição académica da antiga Nova Lisboa, que, até 1991, era famosa na formação de quadros em diversos ramos do saber.

Para lograr tal meta, anualmente são erguidas novas escolas e ampliadas as anteriores para responder à actual explosão estudantil no casco urbano.

Percurso histórico da cidade

A 8 de Agosto de 1912, sendo governador-geral da província ultramarina de Angola o general português José Mendes Ribeiro Norton de Matos, foi exarado o despacho de criação da cidade do Huambo, que viria a ser inaugurada a 21 de Setembro do mesmo ano.

Antes desta data, o que actualmente se designa cidade do Huambo era parte de um vasto território pertencente ao distrito de Benguela, cujo governador era o português Manuel Espregueira Góis Pinto.

Curiosamente, a planta da cidade, que surge da visão de Norton de Matos desenvolver o interior angolano, foi feita somente um ano depois da sua inauguração, em 1913, pelo projectista Vicente Ferreira, que mais tarde viria a tornar-se no governador-geral de Angola.

Após o 21 de Setembro de 1912, a cidade do Huambo deu um grande impulso para a vida social e económica, principalmente no ramo do comércio, indústria, agricultura, pecuária e construção de infra-estruturas sociais, cujos efeitos positivos e significativos para o desenvolvimento da província tornaram-na numa referência nacional em diversos domínios da vida.

Em 1928, período em que Vicente Ferreira foi governador-geral de Angola, a cidade do Huambo, de acordo com a “Carta Orgânica de Angola”, Título I, foi proposta à capital do país, além de a terem atribuído a designação de Nova Lisboa, em homenagem à cidade de Lisboa, capital de Portugal. Vigorou o nome, mas a capitalidade não vingou por várias razões.

Este governante, aliás, não se limitou a criar a cidade, mas também procurou desenvolvê-la ao máximo, com diversas medidas posteriores, como a concessão de terrenos a empresas comerciais, a instalação de uma câmara municipal, de escolas, de uma delegação da fazenda e a criação de uma granja agrícola experimental e um posto pecuário de observação e tratamento de gados.

Davam-se, assim, os primeiros passos importantes para o desenvolvimento daquela que, em poucos anos, se transformaria na segunda cidade de Angola, num centro de formação civil e militar importantíssimo e numa urbe possuidora do segundo parque industrial do país.

Periodização histórica

Situada na região centro-oeste, no planalto central angolano, a cidade do Huambo pode ser considerada como a que mais cresceu durante o período colonial, depois de Luanda, daí a intenção, sempre manifestada oficialmente pelos colonizadores portugueses, de promover esta imponente urbe.

Caracterizada por uma configuração arquitectónica moderna, marcada por prédios de grande porte, ruas e avenidas largas e extensas, uma rede comercial invejável e um sistema de ensino à medida das pretensões dos seus habitantes, o seu nome homenageia um mítico caçador, Wambo Kalunga, oriundo do Cuanza Sul, que habitava na localidade de Muangundja, no município da Caála.

Contudo, os 106 anos de existência da cidade do Huambo devem ser divididos, para melhor compreensão, em quatro períodos: o 1º vai de 1912 a 1928, o 2º de 1928 a 11 de Novembro de 1975, o 3º de 1975 a 2002 e o último de 2002 até a data presente.

Os dois primeiros períodos distinguem-se por serem marcados pela ocupação, exploração e humilhação dos nativos, lembrando que a cidade de Nova Lisboa, como era conhecida na era da colonização, estava dividida em cidade propriamente dita, bairros e sanzalas.

No 3º período, não obstante o conflito armado, o desenvolvimento como tal esteve estagnado, mas a formação de indivíduos no ensino médio e superior era notável, ao passo que o 4º e último período, de 2002 até a presente data, embora seja o mais curto é o maior em termos de realizações, já que a cidade está a conhecer melhorias substanciais em todos os domínios.

A fase do recomeço

A cidade do Huambo, que entre 1928 a 1974 designou-se Nova Lisboa, passando anos mais tarde, em 1991, a ser chamada Cidade Vida, já foi palco de um dos mais violentos episódios da guerra civil de Angola, que destruiu todas as suas principais infra-estruturas, não poupando, também, o seu tecido humano.

Desde o alcance da paz, a 4 de Abril de 2002, a cidade transformou-se, rapidamente, num lugar de recomeço, fruto do grande volume de investimentos feitos pelo Governo e o sector privado, fazendo, deste modo, a região reerguer-se dos escombros.

Na sua fase plena de recomeço, cujo apogeu aconteceu em 2008, todas as amarguras provocadas pela guerra e o lamento dos seus habitantes foram lançados para fora e o Huambo voltou a se tornar num lugar em que as populações vivem em condições admissíveis e se orgulham da cidade.

Onde havia ruínas apareceram casas, as artérias destruídas foram reabilitadas e da escuridão despontou luz. Os feitos para o desenvolvimento da cidade permitira, ainda que não de forma oficial, restituir a sua tradicional designação de “Cidade Vida”.

Aos olhos de todos, desde residentes, turistas e demais cidadãos que por aqui passam por razões diversas, o processo de reconstrução é visível. Além das obras no espaço público, a sua população foi incentivada, com subsídios estatais, a recuperar as habitações, através de um programa denomina “cimento e tinta”.

Embora o processo tenha conhecido um abrandamento, desde 2015, em consequência da desfavorável conjuntura macro-economica que o país vive, o que se assistiu na cidade do Huambo foi, efectivamente, uma fase de progresso, envolvendo cidadãos nacionais e expatriados ávidos em transformar o antigo “campo de batalha” em cenário de reconstrução.

São sinais concretos de desenvolvimento que vão, certamente, beneficiar também as gerações vindouras. A iluminação pública, a sinalização rodoviária, o verde dos jardins, fazem relembrar os tempos em que a cidade do Huambo se denominava “Nova Lisboa”.

Desde o aeroporto Albano Machado, passando pelas principais artérias e avenidas, incluindo os bairros periféricos do São João e São Pedro, são notórios os esforços de recuperar a urbe.

Este esforço não prioriza só a reconstrução, mas também a transformação para melhor a vida das pessoas, aproveitando as riquezas que a região possui, criando postos de trabalho para dignificação do homem e executando programas de melhoramento e aumento da oferta de serviços sociais básicos às populações.

Até mesmo os mais incrédulos em relacção à reconstrução do parque local de infra-estruturas já demonstram optimismo incontido, ao mesmo tempo que prenunciam estar-se no caminho certo para que dentro de pouco tempo esta cidade se torne naquela que orgulhou os colonizadores portugueses. (Angop)

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