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Hezbollah diz que vai ficar na Síria “até nova ordem”

O líder do movimento xiita libanês Hezbollah, aliado do regime de Damasco, assegurou hoje que a sua organização se vai manter na Síria “até nova ordem”, apesar da “calma nas linhas da frente” do país devastado pela guerra civil.

“Vamos ficar lá: mesmo depois do acordo de Idlib e da calma em Idlib, vamos ficar até nova ordem”, declarou Hassan Nasrallah, referindo-se à iniciativa russo-turca de criar uma zona desmilitarizada no último grande bastião rebelde na Síria, numa mensagem transmitida pela televisão na véspera da celebração do dia da Ashura, rito fundador do xiismo seguido por milhões de fiéis em todo o mundo.

“A nossa presença lá está ligada à necessidade e ao consentimento da liderança síria”, sublinhou Nasrallah, cujo movimento intervém oficialmente na Síria desde 2013.

Com o apoio do Hezbollah, mas também da Rússia e do Irão, o poder do Presidente sírio, Bashar al-Assad, conseguiu retomar o controlo de dois terços do território, multiplicando as vitórias sobre os rebeldes e os ‘jihadistas’.

“Naturalmente, a calma das linhas da frente e o recuo das ameaças terão um impacto no número de efetivos presentes”, acrescentou.

O Hezbollah participou nas batalhas contra os ‘jihadistas’ do grupo Estado Islâmico (EI), mas também combateu os rebeldes sírios.

Cerca de 1.665 combatentes do grupo foram mortos na Síria, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

O Presidente russo, Vladimir Putin, e o seu homólogo turco, Recep Tayyip Erdogan, assinaram na segunda-feira um acordo para evitar o assalto pretendido pelo regime de Damasco a Idlib, criando uma zona desmilitarizada sob o controlo russo-turco no último bastião rebelde da Síria.

Os dois dirigentes afastaram, assim, a perspetiva de uma ofensiva àquela província do noroeste do país com cerca de três milhões de habitantes.

“Com o acordo de Idlib, se tudo for feito corretamente, podemos supor que a Síria se orienta para uma grande calma e, concretamente, que não haverá frentes de combate”, disse Nasrallah.

A Ashura, celebrada no 10.º dia do mês do Moarrão, primeiro mês do calendário muçulmano, assinala o martírio do imã Hussein, neto do profeta Maomé e terceiro imã do xiismo, morto em 680 pelas tropas do califa omíada Yazid em Kerbala, no âmbito da luta pela sucessão após a morte do profeta do Islão. (Notícias ao Minuto)

por Lusa

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