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Iémen: Ataques ao porto de Hodeida ameaçam de fome mais um milhão de crianças

O aumento dos preços provocado pelo ataque das forças pró-governamentais ao porto iemenita de Hodeida ameaça colocar em risco de fome mais cerca de um milhão de crianças, alertou hoje a organização Save the Children.

A concretizar-se esta ameaça, subiria para 5,2 milhões o número de crianças ameaçadas pela fome neste país assolado pela guerra entre as forças pró-governamentais e os rebeldes Houthis, que se apoderaram, em 2014 e 2015, de vastas regiões do país, incluindo a capital, Sana.

“Todas as perturbações nos fornecimentos de alimentação e combustíveis que passam por Hodeida podem causar uma fome de amplitude inédita”, denunciou aquela organização não-governamental (ONG) britânica em relatório.

Hodeida, no mar Vermelho, é o principal ponto de entrada das importações e da ajuda humanitária internacional no Iémen, onde três pessoas em cada quatro têm necessidade de ajuda, designadamente alimentar, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).

Mas o reinício da ofensiva das forças pró-governamentais iemenitas, apoiadas pela Arábia Saudita e pelos Emirados Árabes Unidos, sobre este estratégico porto para desalojarem os Houthis, apoiados pelo Irão, faz recear um novo drama humanitário no país, que tem 27 milhões de habitantes.

Qualquer perturbação no abastecimento via este porto “arrisca colocar em perigo imediato a vida de centenas de milhares de crianças e reduzir mais milhões de crianças à fome”, preveniu a Save The Children.

“Milhões de crianças ignoram quando ou se a sua próxima refeição chega”, disse Helle Thorning-Schmidt, diretora-geral da ONG.

“Num hospital que visitei no norte do Iémen, os bebés estavam demasiado fracos para chorar, com os corpos esgotados pela fome”, acentuou, insistindo que “esta guerra pode matar toda uma geração de crianças iemenitas confrontadas com múltiplas ameaças, das bombas às doenças evitáveis, como a cólera.

Uma tentativa de negociações políticas, patrocinada pela ONU, fracassou recentemente, em Genebra.

O conflito já provocou cerca de dez mil mortos, mais de 56 mil feridos e a pior crise humanitária no mundo, ainda segundo a ONU. (Notícias ao Minuto)

por Lusa

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