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Historial da cidade do Cuito que acolhe o acto central do 17 de Setembro

O município do Cuito, capital da província do Bié, que celebrou no 31 de Agosto, 83 anos desde que foi elevada, em 1935, à categoria de cidade, acolhe a 17 de Setembro o acto central dedicado ao Herói Nacional António Agostinho Neto, sob orientação do Vice-Presidente da República, Bornito de Sousa.

Administrativamente, a capital da província do Bié faz fronteira a norte com o município do Cunhinga, a leste com o Catabola, a oeste com o Chinguar e a sul com o Chitembo.

O Cuito, antes da Independência Nacional designada por Silva Porto, é um dos nove municípios que compõe a província do Bié, situado no planalto central de Angola, a 82 quilómetros do centro geodésico do país Camacupa, ex-General Machado.

Habitam na cidade do Cuito vários grupos etnolinguísticos, maior parte destes ovimbundos, em menor número os ovinganguelas, tchokwes, songos e outros, devido, em grande parte, do conflito armado que o país viveu.

A tradição dos povos desta região não se difere muito das demais localidades da província, caracterizada pelos usos e costumes e a gastronomia local, associando-se aos vários tipos de dança, como Ocatita, Sawoia, Tchianda, Omenda, entre outras, bem como os seus rituais tradicionais.

Reza a história que o distrito do Bié, foi fundado em 1922 por Vié, no século XVIII, caçador de elefantes de origem Umbi, que depois de se instalar na região de Belmonte tornou-se o soberano da região.

Vié veio a chamar-se mais tarde de vila do Silva Porto, actual cidade do Cuito, em homenagem a um cidadão português de nome Silva Porto.

A Vila de Silva Porto, segundo fontes escritas, foi elevada à categoria de cidade pelo diploma legislativo nº 740 de 31 de Agosto de 1935, sob proposta dos habitantes, através do estatuto de vila, por ser uma região onde iniciaram as campanhas de penetração portuguesa com destino ao leste de Angola.

Antes da chegada dos portugueses nesta parcela do país, o tratamento das doenças eram feitas tradicionalmente. Em 1931 foi erguido o hospital indígena (actual hospital provincial) que atendia somente pessoas que faziam parte da classe dos assimilados.

Anos depois, surgiram as missões do Camundongo e Chilonda (da Igreja Evangélica Congregacional de Angola) e a da Chanhora, pertencente à igreja Católica, actualmente além de contribuir na assistência sanitária à população local, colabora igualmente no processo de ensino e aprendizagem, fundamentalmente aos infantes dessas regiões.

Hoje, revelou o administrador municipal do Cuito, Avis agostinho Viera, regista-se melhorias sobre a cidade e arredores, fruto dos esforços do executivo, intelectuais, religiosos, camponeses e outras camadas da sociedade civil, observando-se as ruas e passeios reabilitados, residências e jardins recuperados, iluminação pública melhorada e o fornecimento de água potável em dia.

Prometeu ainda a reabilitação de 15 quilómetros de estradas, 10 de passeis ao longo do ano, a fim de melhorar a circulação na urbe.

Quanto ao sistema bancário, com o final da guerra em 2012, a capital biena foi reforçada com quatro agências do Banco de Poupança e Crédito (BPC), dois do Banco Sol, duas do Banco de Fomento Angola e uma cada do Banco Bic, Millennium-Atlântico, BAI e Banco Economico e BCI que têm vindo a contribuir para a bancarização dos salários da função pública e facilitar outras operações.

Aferiu que, a vila beneficia dos sinais da emissora provincial da Rádio Nacional de Angola, através do centro emissor de alta potência, assim como dos canais 1 e 2 da Televisão Pública de Angola, bem como operadoras de telefonia móveis como Unitel e Movicel, além da Angop e as Edições Novembro que garantem informações actualizadas aos internautas e leitores.

As religiões mais predominantes são à Católica, Evangélica Congregacional, Assembleia de Deus Pentecostal, Adventista do Sétimo dia, Evangélica dos Irmãos, Igreja Universal do Reino de Deus, Igreja do Nosso Senhor Jesus Cristo no Mundo, Testemunhas de Jeová, entre outras.

Na área da hotelaria e turismo, Avis Agostinho Vieira asseverou a entrada em funcionamento, ainda este ano, de dois hotéis de três e quatro estrelas com 100 quartos respectivamente, dando uma oferta de trabalho para mais de 30 jovens desta comunidade.

A região, revelou, contínua ainda a necessitar de uma classe empresarial forte para investir no ramo hoteleiro, apontando existência de apenas 70 unidades, entre hotéis, pensões e restaurantes.

No domínio habitacional, pontualizou, a capital biena beneficiou desde o mês de Setembro do ano passado (2017) de uma nova centralidade com mil e 800 apartamentos já habitados, dos 2.834 concluídos. Após a sua conclusão o referido projecto habitacional portará seis mil residências.

Também conhecida por “cidade mártir”

Além do dia 31 de Agosto de cada ano, os munícipes do Cuito rendem anualmente homenagem o dia 28 de Junho, consagrado aos Mártires da Resistência do Cuito, pela liberdade da cidade que esteve no cerco durante nove meses sobre intensos combates, no período pós eleitoral de 1992.

Para honrar os mortos causados nesse mesmo período (pós eleitoral) o governo central construiu um cemitério designado por “cemitério monumento” que ocupa uma área de 75 mil metros quadrados, localizado na comuna do Cunje, sete quilómetros a norte da capital biena, onde estão sepultados perto mais de sete mil corpos, enterrados na altura em locais impróprios, como jardins e quintais.

O cemitério serve actualmente, além de recordação, de fonte de conhecimento histórico e de testemunho às novas gerações, sobre os acontecimentos que levaram à morte de milhares de angolanos na década de 90.

Possui três casas de apoio, sendo uma capela, casa administrativa e um museu que contém alguns artefactos encontrados junto dos corpos, nomeadamente retratos, documentos e restos do material usado durante a guerra.

Fez parte do processo de construção do cemitério a exumação e inumação dos corpos antes enterrados nos jardins, quintais e outros locais impróprios. A exumação e inumação decorreu, de 13 de Outubro de 2003 a Novembro de 2004, e orçou aos cofres do Estado angolano cerca de 510 milhões de Kwanzas.

Faz parte do município do Cuito, as comunas do Cunje, Trumba, Chicala e Cambândua, com uma extensão de 4.814 quilómetros quadrados e uma população estimada em mais de 400 mil habitantes, distribuídos em quatro comunas.

O relevo do Cuito é constituído por áreas intercaladas por pequenas e grandes matas, com um solo arável e fértil. Por possuir terras aráveis, a população do município do Cuito é maioritariamente camponesa e dedica-se à agricultura de subsistência, criação de gado, apicultura e caça, sendo os produtos mais cultivados o milho, mandioca, feijão, trigo, arroz e hortícolas diversas.

Possui rios como o Cuito, Cunje, Cuquema e Cuche que possibilitam o exercício da pesca continental.

A flora do Cuito é caracterizada por pequenas árvores e arbustos como a Mulembeira, Ongoti, Omanda, Otchandala, Umbombo, Ussongue, Ometi entre outras e a sua fauna é composta por répteis como lagarticha (ekangala), cobras de várias espécies, topeiras (onete), jiboias (omoma), coelhos (ondimba), cabra do mato (ombambi), entre outros animais.

Residem ainda nesta região animais como leão (ohosi), onça (ongue), perdiz (onguali), hipopótamo (ongueve), jacaré (ongandu), rola (onende), galinha-do-mato (ohanga), entre outros.

Luta de António Agostinho Neto e breve resumo

A libertação da Namíbia, do Zimbabwe e a supressão do sistema de apartheid então vigente na África do Sul, foram algumas das exigências defendidas por Neto, como era carinhosamente chamado.

Nascido em 17 de Setembro de 1922, no Icolo e Bengo, a 60 quilómetros a norte de Luanda, Neto morreu em Moscovo, capital da antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), a 10 de Setembro de 1979, por doença.

Tido como um homem de cultura e de poesia, o “Herói Nacional” fez parte da geração de estudantes africanos que viria a desempenhar um papel decisivo na independência dos seus países, naquela que ficou designada como a guerra colonial portuguesa.

Foi preso pela PIDE-DGS, antiga Polícia Política Portuguesa, e deportado para o Tarrafal, Cabo Verde, sendo-lhe fixada residência em Portugal, de onde fugiu para o exílio. Aí assumiu a direcção do MPLA, do qual já era presidente honorário desde 1962. (Angop)

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