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Inflação nos 2% pode beneficiar Portugal ao reduzir dívida pública

O economista da gestora de activos Allianz Global Investors Neil Dwane garante que manter uma taxa de inflação em torno dos 2% é uma política alternativa à austeridade para reduzir consumo e dívida pública, beneficiando países como Portugal.

“O que acho que muitas pessoas não percebem sobre a política dos bancos centrais agora é que todos têm uma meta, mesmo o BCE [Banco Central Europeu], uma inflação de 2%. Em teoria, isso significa que o euro que as pessoas têm no bolso vai valer 98 cêntimos no próximo ano, depois 96 e 94, e assim sucessivamente. Eles estão a destruir o poder de compra”, afirmou hoje o também responsável pela estratégia global da AllianzGI, em declarações à agência Lusa.

Porém, esta redução também significa que a dívida está a cair ao mesmo ritmo, resultando no que chama de “incumprimento através de inflação”, beneficiando países como Portugal.

“Se imaginarmos um gorila às costas, como é o caso de Portugal, que tem 130% de dívida pública em relação ao PIB [Produto Interno Bruto], se a cada ano cair 2%, eventualmente vai ficar com um macaco às costas e pode começar a acelerar o crescimento económico novamente”, resumiu.

O valor de 2% de inflação é considerado aceitável, referiu, ao contrário do impacto que tiveram políticas de austeridade aplicadas após a crise financeira da última década.

“A austeridade foi testada e sei que foram tempos difíceis em Portugal e na Grécia. Mas a lição é que, a certa altura, a sociedade vai dizer que está farta de dieta e que quer carne e vinho tinto. E há sempre um político disponível que fará esse tipo de coisas acontecer. E então essa é a dinâmica que acho que estamos a assistir: muitas pessoas entraram na dieta, que não é popular, e é preciso encontrar outra solução. E é aí que entra a inflação”, vincou o estratega da AllianzGI.

Dwane falava hoje à margem de uma conferência de imprensa, no âmbito de um Fórum de Investimento em Londres, onde se discutiram temas como o ‘Brexit’ (a saída do Reino Unido da União Europeia), as políticas do presidente norte-americano, Donald Trump, ou os riscos e oportunidades da transformação digital.

Numa apresentação, a estratega para o investimento Ann-Katrin Petersen disse que “o divórcio” entre o Reino Unido e a União Europeia vai afectar sectores económicos de forma diferente.

A economista alemã prevê um maior impacto nas indústrias como a do automóvel, que depende de cadeias de fornecimento internacionais, a dos transportes, devido aos desafios logísticos das alfândegas, ou da restauração, por causa da dependência de mão de obra europeia.

Respondendo à questão sobre se o Reino Unido poderá sair a ganhar, disse que serão necessárias políticas activas para fazer novos acordos comerciais e tempo para mitigar o fim da integração no mercado único.

“O Reino Unido pretende reforçar laços com os países da Commonwealth e China mas, considerando a actual importância para o comércio britânico e a dimensão da importância do comércio com a União Europeia, vai demorar muito para compensar”, afirmou Petersen. (Notícias ao Minuto)

por Lusa

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