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Conselho Nacional do PSD adia votação de estatutos entre coro de críticas a Rio

O Conselho Nacional do PSD, reunido esta quarta-feira nas Caldas da Rainha, adiou para novembro a discussão e votação das propostas de alteração aos estatutos apresentadas no Congresso do partido, realizado em fevereiro. Sobre os críticos da sua liderança, Rui Rio ironiza e diz estar “cheiinho de medo”.

Na reunião inaugural realizada depois das férias, a terceira da era Rio e a primeira após a saída de Santana Lopes do PSD, a tensão entre o líder do partido e as vozes dos opositores foi difícil de esconder.

O encontro de quatro horas acabou por ditar o adiamento da votação das propostas de alteração, que foi feito a pedido das estruturas distritais do partido. Estas queixaram-se de não conhecerem em profundidade essas propostas, ainda que no último Congresso do PSD, em fevereiro, tenha sido conferido mandato ao Conselho Nacional para aprovar as alterações estatutárias.

Entre as principais propostas em debate estão a realização de uma convenção nacional não eletiva de dois em dois anos – alternando com a realização de Congressos -, a criação da figura do Provedor de Militante, o pagamento preferencial de quotas por débito direto ou a inscrição da estrutura informal Mulheres Social-Democratas nos estatutos do PSD são algumas das propostas em debate.

Com o adiamento, a votação deverá acontecer dentro de dois meses na próxima reunião ordinária do Conselho Nacional. Será entretanto criada uma comissão para trabalhar dentro do partido e com a sociedade civil para uma revisão “mais profunda” dos estatutos ao longo do próximo ano, segundo referiu Paulo Mota Pinto, presidente do Conselho Nacional.

Essa reforma mais profunda dos estatutos do PSD deverá ser oficializada num congresso estatutário, já depois das legislativas do próximo ano.
“Cheiinho de medo”

O clima de crispação entre os vários responsáveis foi um dos pontos que mais marcou a reunião de ontem, segundo disse aos jornalistas o presidente do Conselho Nacional. Logo à entrada para a reunião realizada ontem à noite nas Caldas da Rainha às 22h00, Rui Rio garantia ironicamente que estava “cheiinho de medo” dos críticos interno, em resposta à pergunta dos jornalistas sobre eventuais reprovações no decorrer daquele encontro.

“O PSD é um partido plural, houve intervenções mais críticas, outras de alerta, outras de defesa, outras que manifestaram agrado por essas intervenções terem tido lugar no Conselho Nacional. Mal estaríamos se fosse só fora”, disse Paulo Mota Pinto, citado pela agência Lusa.

Segundo este responsável, a discussão a apresentação de posições antes de avançar para o tema concreto da reunião durou cerca de hora e meia. Os conselheiros presentes na reunião relatam que o antigo líder parlamentar Hugo Soares foi uma das vozes mais dissonantes, tendo criticado a “aproximação do PSD ao PS” e ainda contestando a posição do presidente do partido sobre a chamada “taxa Robles”.

Rui Rio considerou “acéfalo” que se rejeite à partida uma medida do Bloco de Esquerda só porque esta foi apresentada por esse partido específico e prometeu apresentar uma proposta de taxa contra vendedores que fazem especulação mobiliária em sede de Orçamento do Estado.Na reunião que se seguiu, Hugo Soares lamentou que os sociais-democratas estejam a “dar a mão” aos bloquistas.

Também antes do início da reunião, o líder do PSD desvalorizou as recentes críticas de Luís Montenegro e considera que a saída do antigo líder parlamentar “não faz sentido”. Há uma semana, Rui Rio defendia que “aqueles que discordam estruturalmente devem sair do PSD”, seguindo o exemplo de Pedro Santana Lopes.

Na reunião, Hugo Soares rejeitou essa sugestão, afirmando que não leva “lições de ninguém”. À saída do encontro de responsáveis sociais-democratas, o ex-líder da bancada do PSD não quis prestar declarações.

A histórica militante social-democrata Virgínia Estorninho também assegurou que não vai sair do partido, mesmo discordando das decisões da atual direção.

Paulo Mota Pinto, presidente do Conselho Nacional, considerou, em declarações aos jornalistas, que “o tema principal” da reunião foi a apresentação do documento do Conselho Nacional Estratégico (CEN) sobre saúde, que acabaria por acontecer já depois da meia-noite.

O texto em causa ainda não foi distribuído aos conselheiros ou à comunicação social, sendo divulgado apenas esta quinta-feira em conferência de imprensa a partir das 15h30, na sede do partido. (RTP/Lusa)

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