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Moçambique beneficia de perdão de dívida pela China

O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, classificou esta terça-feira, em Beijing, capital da China, como “bastante positiva” a participação do país na terceira Cimeira do Fórum de Cooperação China – África (FOCAC).

“Houve ganhos a nível bilateral, assim como a nível da FOCAC”, disse o estadista moçambicano, citado pela Agência de Informação de Moçambique (AIM), quando fazia o balanço final da participação de Moçambique neste evento de dois dias, que terminou ontem. De acordo com o Presidente da República, a nível bilateral, Moçambique beneficiou de perdão da dívida sem juros, cuja maturidade iria até finais de 2018. Filipe Nyusi não precisou o montante da dívida nem em que ano a mesma foi contraída.

Outro ganho, disse o Chefe do Estado, foi de o país ter recebido um donativo de 140 milhões de yuans (20,425,869.29 de dólares norte-americanos). Os 100 milhões de yuans, correspondentes a mais de 14 milhões de dólares, destinam-se a apoiar projectos de desenvolvimento, enquanto os restantes 40 milhões de Yuans (mais de cinco milhões de dólares) são um donativo em arroz.

Na conferência de imprensa, Filipe Nyusi destacou, também, a assinatura, no sábado, pelas delegações de Moçambique e da China, de três instrumentos de cooperação bilateral. Trata-se do memorando sobre assistência técnica para o reforço da capacidade produtiva, do de sanidade vegetal e do de estruturação da cooperação no âmbito da iniciativa “Um cinturão, uma rota”, um conceito que a China está a levar a cabo no âmbito de estreitamento de relações entre aquele país asiático e os países africanos.

O documento de sanidade vegetal permitirá que os produtos moçambicanos de origem vegetal entrem no mercado chinês. O Ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, José Pacheco, explicou que estes três documentos têm vigência permanente, podendo serem revistos sempre que se realizar a reunião da Comissão Conjunta.

O Presidente da República disse ter ficado impressionado pela postura que o empresariado moçambicano levou à China. “Os nossos empresários conseguiram rubricar seis memorandos de entendimento”, precisou. No Fórum de Negócios realizado domingo, envolvendo empresários dos dois países, o banco Millennium-BIM rubricou entendimento com a Fosun International, empresa que opera na área de finanças, seguros, turismo e saúde; a empresa moçambicana pública de telefonia móvel, Mcel, alcançou entendimento com a Huawei, enquanto a Agência para a Promoção de Investimentos e Exportações (APIEX) conseguiu acordo para a promoção de parques industriais em Moçambique.

O recorde em assinar memorandos de entendimentos coube a Administração Nacional de Estradas (ANE), tutelada pelo Ministério das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos de Moçambique. Esta leva na bagagem três documentos rubricados, de acordo com a AIM. No que a FOCAC diz respeito, o Chefe do Estado disse que o novo pacote de financiamento no valor de 60 mil milhões de dólares norte-americanos, bem como o perdão da dívida dos países mais pobres, anunciados segunda-feira pelo Presidente Xi Jinping são um ganho para África e também para Moçambique.

Os 60 mil milhões, precisou, na altura, o presidente chinês, destinavam-se a cobrir diversos programas preconizados na esfera de cooperação China-África, enquanto o perdão da dívida sem juros beneficiava os países mais pobres no continente, até ao fim do ano em curso. Segundo Nyusi, para beneficiarem do montante, tanto Moçambique como os outros países africanos, terão de apresentar projectos. “Nos próximos dias virá a Beijing o nosso ministro das finanças para trabalhar no assunto”, assegurou Nyusi. (O País)

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