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Argentina e FMI dialogam em Washington, enquanto peso opera estável

A Argentina continua a negociar com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para acelerar o desembolso de recursos já aprovados para estabilizar sua economia e frear a queda de sua moeda, que perdeu este ano metade de seu valor diante do dólar.

Em Buenos Aires, o peso operava estável nesta tarde, após duas sessões no vermelho, com um recuo de 2,7% na segunda-feira e de 1,9% na terça. A moeda argentina acumulou, na semana passada, uma queda de 17% e desde o início do ano mais de 50% de valor ante o dólar.

Depois da reunião de terça-feira entre a director-geral do FMI, Christine Lagarde, e o ministro argentino da Fazenda, Nicolás Dujovne, nesta quarta o diálogo ganhou um viés mais técnico.

O FMI aprovou em Junho um acordo “stand-by” com a Argentina a três anos de 50 bilhões de dólares, dos quais já recebeu 15 bilhões, em meio a uma corrida cambiária que começou em abril e se agravou nos últimos dias, atingida pelo impacto da crise da Turquia nas moedas de países emergentes.

Dujovne se recusou, na terça-feira, a especificar o montante que o governo do presidente Mauricio Macri pretende receber na revisão do programa.

“De forma alguma podemos dar cifras neste momento, quando estamos em plena discussão com as autoridades”, disse.

Ela acrescentou que espera que o novo acordo seja votado pelo directório na segunda metade de setembro.

Os primeiros sinais de Lagarde foram positivos para Buenos Aires.

“Fizemos avanços durante nossa reunião e trabalharemos juntos para fortalecer ainda mais o programa das autoridades argentinas respaldado pelo FMI. Nosso diálogo continuará agora em nível técnico”, disse na noite desta terça-feira.

– Reestruturar a dívida? –

Para a vice-directora do Centro de Estudos de Informações Prospectivas e Internacionais (CEPII) em Paris, Anne-Laure Delatte, “os investidores acreditam que as medidas adoptadas provavelmente não serão muito eficazes”.

“Para mim, é difícil ver como a Argentina poderia enfrentar suas obrigações, e uma delas é provavelmente a dívida, que teria que ser reestruturada”, explicou Delatte.

“Com essa medida, a Argentina tentaria negociar com seus credores uma prorrogação dos prazos de vencimento da dívida, ou condições mais favoráveis (para seu pagamento), o que permitiria evitar uma suspensão total dos pagamentos”, afirmou.

Para o cientista político Sergio Berensztein, agora a Argentina pode capitalizar as vantagens de “voltar a fazer parte da comunidade internacional”.

“É importante que o governo reconheça que existe uma crise profunda”, acrescentou.

Para ele, a conversa telefónica de terça-feira entre Donald Trump e Macri, é um sinal mais forte, já que o mandatário americano renovou seu apoio a Buenos Aires, segundo a Casa Branca. (Afp)

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