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Moçambique tem na China um parceiro imprescindível

Moçambique tem na China um parceiro cada vez mais imprescindível para o seu desenvolvimento, principalmente nas infraestruturas, mas as relações bilaterais encontram as suas fundações antes da independência do país africano e são hoje visíveis em obras emblemáticas.

A China deu formação militar a quadros da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) quando o partido hoje no poder ainda era uma guerrilha contra a ocupação colonial portuguesa.

Com a Frelimo já no poder, após a independência, em 1975, as relações bilaterais passaram para um patamar estatal, enquadrado pela pertença de ambos os países ao bloco comunista.

Com a afirmação da China como potência económica, a cooperação com Moçambique passou a ganhar maior expressão no campo económico e financeiro, bem como ao nível de infraestruturas construídas com dinheiro chinês.

A sede da Assembleia da República, Procuradoria-Geral da República, Aeroporto Internacional de Moçambique, Estádio Nacional do Zimpeto, Centro de Conferências Joaquim Chissano, entre tantas outras obras emblemáticas, foram financiados pela China.

A mais mediática e umas das mais onerosas é o projeto da ponte Maputo – Catembe, sobre a baía da capital, em conjunto com cerca de 200 quilómetros de acessos (incluindo outras cinco pontes mais pequenas) entre Maputo e a Ponta do Ouro.

Só este pacote rodoviário representa um investimento estatal de 785 milhões de dólares (673,9 milhões de euros), com um empréstimo da China que o entrega em modo “chave na mão” – ou seja, trata de tudo e entrega a obra feita – e que começa a ser liquidado em 2019.

Dezenas de empresas chinesas estão envolvidas em vários ramos de negócio em Moçambique, incluindo construção civil, comércio, hotelaria e madeiras, numa presença de uma forma incontestada.

Em junho, a China anunciou que vai desembolsar 100 milhões de dólares (85,3 milhões de euros) para apoiar quatro projetos nas áreas de infraestruturas e educação em Moçambique.

Entre eles, destacam-se um instituto técnico-profissional na Gorongosa, no centro de Moçambique, e o Aeroporto de Xai-Xai, no sul do país, depois de o país asiático ter anunciado um financiamento cerca de 25 milhões de euros para a infraestrutura, apoiando agora Moçambique na implementação.

“Hoje, a China figura entre um dos parceiros mais importantes que nós temos”, referiu o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique, Belmiro Malate.

Um parceiro incontestado, que apoia também os media estatais, numa relação que se estende à proliferação de lojas chinesas no comércio e que funciona nos dois sentidos.

O empresário moçambicano Dino Foi, que tem negócios na China há cinco anos, considera que o país asiático já provou que quer um lugar em África, considerando que é necessário que os países africanos percebem as vantagens desta relação.

Tomando Moçambique como exemplo, o empresário destaca que houve nos últimos anos uma redução do volume de negócios entre os dois países, associando o facto à crise económica que Moçambique atravessa, mas não só.

Associa-o também ao modelo de cooperação que o país africano adota.

“Moçambique tem muitos amigos, mas a China não gosta desse tipo de relações. A China quer que os parceiros tenham um único amigo. Há uma necessidade de Moçambique demonstrar que é o amigo da China”, disse o empresário.

“O número de empresários moçambicanos que estão na China ainda não é significativo, mas vejo que há um trabalho que está a ser feito pela duas partes e acredito que com as decisões certas poderemos ter um futuro promissor”, concluiu.

A terceira edição do Fórum de Cooperação China-África (FOCAC) deverá juntar em Pequim, na segunda e na terça-feira, dezenas de chefes de Estado e de Governo do continente africano.

A cimeira contará com três novos países, incluindo São Tomé e Príncipe, que se junta aos restantes países africanos de língua portuguesa, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Moçambique.

As restantes estreias são o Burkina Faso e a Gâmbia, que elevam assim para 53 o número de nações africanas com relações com a China.

Desde 2015, a média anual do investimento direto da China no continente fixou-se em 3.000 milhões dólares (2.500 milhões de euros), com destaque para novos setores como indústria, finanças, turismo e aviação.

O primeiro Fórum de Cooperação China-África aconteceu em Pequim, em 2006, e a segunda edição decorreu na África do Sul, em 2015. (Sapo 24)

por Lusa

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