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Presidente João Lourenço tem pela frente desafios difíceis – Académico

O Presidente da República, João Lourenço, tem pela frente desafios difíceis quando ascender ao cargo de líder do MPLA, sendo que um dos principais “cavalos de batalha” da sua dupla liderança será dissipar a ideia da existência de fracturas no partido.

Esse entendimento é do académico Fernando Manuel, para quem João Lourenço vai encontrar, a nível do partido, quadros fiéis ao actual líder do MPLA, José Eduardo dos Santos, situação que o pode levar, eventualmente, a reestruturar o núcleo duro do partido (Secretariado e, quiçá o Bureau Político).

Eleito em Agosto de 2017 e investido no cargo de Presidente da República a 26 de Setembro do mesmo ano, o Chefe de Estado assume, nos próximos dias, o mais alto cargo do MPLA, sucedendo a José Eduardo dos Santos, que comandou o partido no poder desde 1979.

No entender de Fernando Manuel, que respondia a questões colocadas pela Angop, a transição política no MPLA vem em boa altura, na medida em que muitos militantes, simpatizantes e amigos deste partido, no poder desde 1975, “não viam com bons olhos a questão da bicefalia”.

Para si, a bicefalia agudizou as insinuações de existência de clivagens no MPLA e estava em contradição com os estatutos do partido, que, “num dos seus artigos, diz que em caso de vitória nas eleições, o presidente do MPLA é também o Presidente da República”.

Apesar de louvar a decisão de José Eduardo dos Santos de deixar o cargo, mesmo tendo legitimidade para dirigir o partido até 2022, afirmou que a bicefalia limitava bastante as iniciativas do Presidente João Lourenço, porque parecia haver dois pesos e duas medidas na hora de se tomar as decisões.

Quanto aos novos desafios políticos, sociais e económicos, disse ser fundamental que o futuro líder do MPLA e actual Presidente da República continue a ter quadros certos em lugares certos, a apostar na meritocracia e nas reformas iniciadas no começo do seu mandato, em 2017.

Sobre o primeiro ano de governação, considera ter sido positivo, porque, embora tenha encontrado o país numa “bancarrota financeira sem precedentes na sua história económica”, o Presidente devolveu aos angolanos um sentimento de esperança.

Fernando Manuel destacou, a propósito, o facto de ter feito coisas antes impensáveis, como a quebra dos monopólios, de alguns órgãos-sombra da governação, a anulação de contratos bilionários enganosos, as mexidas em conselhos de administração quase intocáveis e a adopção de uma governação de proximidade pragmática.

A seu ver, João Lourenço revela-se um “líder moralizador da sociedade e, acima de tudo, liberal”, com quem os angolanos passaram a contar, daí ter conseguido, também, mexer nas chefias militares e nos Órgãos de Defesa e Segurança, apesar do Decreto Presidencial aprovado às pressas, antes da sua investidura. (Angop)

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