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Etnias alvo de genocídio na Namíbia exigem pedido de desculpas à Alemanha

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Os representantes das etnias Herero e Nama, originárias da Namíbia, exigiram hoje, em Berlim, um pedido de desculpas à Alemanha pelos massacres perpetrados durante o período da colonização.

Um pedido de desculpas iria “curar as feridas emocionais”, declarou a presidente da fundação Ova Herero Genocide, numa conferência de imprensa na capital alemã.

O apelo surgiu nas vésperas de uma cerimónia que, na quarta-feira, envolverá a devolução das ossadas, roubadas há mais de um século e que a presidente da fundação vê como uma boa ocasião para o país apresentar um pedido de desculpas.

“É pedir demais? Não, creio que não”, disse Muinjangue.

O historiador Christian Kopp, de uma organização não-governamental (ONG), considerou que a cerimónia, a realizar numa igreja, deveria ter lugar “na câmara dos deputados e ser acompanhada por um pedido de desculpas oficias”, disse, em entrevista à agência France-Press.

O povo Herero revoltou-se em 1904 contra os colonos alemães após se verem privados das suas terras e do seu gado.

O general alemão Lothar von Trotha, enviado para conter a rebelião, ordenou o extermínio de todos os Herero, armados ou não, que entrassem em território alemão.

Os Namas, que se insurgiram um ano depois, sofreram o mesmo destino.

No total, cerca de 60.000 Hereros e perto de 10 mil Namas perderam a vida entre 1904 e 1908, naquele que os historiadores consideram ser o primeiro genocídio do século XX.

As ossadas, especialmente crânios, foram enviadas para a Alemanha, onde foram objectos de experiências científicas de carácter racial.

O Governo alemão, entretanto, reconheceu a responsabilidade e indicou, em 2016, que planeava um pedido de desculpas formal nas negociações com o Governo da Namíbia de modo a encerrar este capítulo da sua história.

As negociações continuam a decorrer e o pedido de desculpas suspenso.

Berlim recusa-se a pagar as reparações financeiras, e destaca as ajudas de várias centenas de milhões de euros para o desenvolvimento da Namíbia, desde a sua independência da África do Sul, em 1990.

Actualmente, os Hereros representam 7% da população da Namíbia, número distante dos 40% do início do século XX. (Notícias ao Minuto)

por Lusa

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