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Sociedade civil reage a morte do agente da PN nas cadeias do SIC

Chefe do Departamento de Crimes do SIC, superintendente Mário Vicente (Foto: David Dias)

Quinze dias depois da morte do agente da Polícia Nacional (PN), Ermindo Jamba Carima, ocorrido nas cadeias dos Serviços de Investigação Criminal (SIC), no Luena, a sociedade civil desta província reagiu hoje, sexta-feira, as circunstâncias misteriosas que envolvem o crime.

A tragédia até a presente data resulta o “braço de ferro” entre as autoridades policiais e a família da vítima, inviabilizando a realização do funeral do agente que pertencia na Unidade da Policia de Guarda Fronteira do município do Lumbala Nguimbo, 356 quilómetros a sul da cidade do Luena.

Em declarações à Angop, o sociólogo Carlos Tito, que considerou preocupante a situação, argumentou que as cadeias são espaços que servem para corrigir os possíveis desvios de norma de um determinado cidadão, para posterior reintegração na sociedade e quando alguém falece neste espaço por negligência, contrasta a essência desta instituição.

Para esse caso concreto que deixa a sociedade chocada, o sociólogo afirmou que a não observância das normas sociais tiveram a origem do acontecimento desta natureza, defendendo mais respeito e consideração pela vida humana.

Reagindo ao resultado contestado da autópsia apresentado à família pelo SIC, disse ser justo o comportamento da família, em insistir a realização de uma investigação profunda para ter um esclarecimento mais apurado sobre as verdadeiras causas que estiveram na base do sucedido, aconselhando que a exigência seja feita dentro dos trâmites legais recomendados por lei.

Para o Jurista Arcanjo Cambinda, não obstante o processo de investigação conduzido pelo SIC do Moxico, alegando o traumatismo crânio encefálico como a causa da morte de Ermindo Jamba Carima, a família, em caso de discordar deste argumento, pode apresentar recursos de modo a se realizar uma segunda autópsia.

“Até agora não houve julgamento que condenou ou inocentou um ou outro envolvente, o que o SIC apresentou é apenas um comunicado final, e isto não inibe que se faça mais recolha de provas” defendeu o jurista.

A mesma opinião é corroborada pelo Teólogo Paulo Wanguinonguena, ao afirmar que apesar dos comentários que surgem na esfera pública em volta do assunto, as imagens da vítima, tornadas públicas nas redes sociais, contradizem a versão final sobre a verdadeira causa da morte apresentada pelo SIC.

O também professor universitário questionou ainda o tamanho da cela onde esteve detido a vítima que o permitiu realizar o tipo de suicídio explicado pelos agentes do SIC, tendo entretanto, defendido que a família em causa tem o direito de propor uma investigação mais profunda.

Enquanto isso, a família da vítima, reprovou o comunicado, final tornado público pelos Serviços de Investigação Criminal, ao qual consideraram de infundado e insustentável, uma vez que na sua óptica, apresenta vários contraditórios.

Segundo um dos irmãos da vítima, Daniel Chiwape, enquanto não se apurar a verdadeira causa da morte do seu ante querido, a família vai continuar com a mesma posição, a de não realizar o funeral do malogrado.

Como motivos de suspeitas, acusou ainda a PN de ter movimentado antes da primeira autópsia, o corpo da vítima, da morgue do Hospital Geral do Moxico, local em que se encontra desde o seu falecimento, para uma outra unidade hospitalar sem o consentimento da família.

Em caso da realização de uma segunda autopsia, Daniel Chiwape, fez saber que a família já tem disponível um advogado para acompanhar todo processo em causa.

O comunicado final tornado público, no passado dia 21, pelo SIC do Moxico, refere que o cidadão em causa foi vítima de traumatismo crânio encefálico derivado de queda livre quando este se pendurado no gradeamento de uma das janelas da cela, onde caiu, acabando por embater intensamente com o crânio no chão.

“Em decorrência da manifestação de outros detidos, houve a pronta intervenção do corpo de serviço de guarda, que rapidamente o socorreram para o Hospital Geral do Moxico (HGM), concretamente no banco de urgência, onde acabou por parecer, devido a gravidade do ferimento e levado de seguida para a morgue do referido hospital”, conclui o comunicado. (Angop)

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