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Mais de 500 deficientes isolados e a passar fome no Cuando Cubango

A maior parte deste grupo de pessoas vive deficiências de elevado grau, sendo que muitos chegam até mesmo a depender de terceiros para mitigar as necessidades básicas

Quinhentos e 17 deficientes de guerra vivem isolados e em condições precárias na aldeia de Cacela, bairro 11 de Novembro, a 96 quilómetros da cidade de Menongue, conforme denunciou ontem, ao OPAIS, o presidente da Associação Nacional dos Deficientes de Angola (ANDA), Sílvio Etiambulo.

Segundo o líder associativo, todos estes deficientes são chefes de família e possam por dificuldades extremas, como a falta de escolas, hospitais, comida e vestuário. Revelou que a maior parte dos integrantes deste grupo são pessoas com deficiências de elevado grau, sendo que muitos chegam até mesmo a depender de terceiros para mitigar as necessidades básicas.

O que, em seu entender, torna difícil desenvolverem alguma actividade que lhes sirva como sustento. Sílvio Etiambulo disse que a fome e a miséria têm devastado essas famílias que se dizem abandonadas pelo Estado por não receberem qualquer recompensa pelo árduo sacrifício que fizeram para a conquista da liberdade e da paz que o país hoje vive. “Às vezes são as próprias mulheres que vão à lavra, mas, como a terra também não é boa, não conseguem viver totalmente da agricultura.

As crianças estudam debaixo de árvores. O quadro é pele de animal e o giz tem sido o carvão. É uma vida muito difícil. Muitos, inclusive, clamam pela morte porque o sofrimento é demais”, acrescentou. Face à débil situação, aos governos local e central, Sílvio Etiambulo clama por mais apoio e inserção destas e de outras pessoas com deficiências que deambulam pelo país no mercado de emprego, de forma a minimizar as dificuldades que atravessam, sobretudo neste período de crise económica que o país atravessa.

O responsável deu a conhecer ainda que desde o início da crise, em 2014, as pessoas com deficiências têm vindo a enfrentar muitas carências devido à redução dos apoios de que outrora beneficiavam. O Estado, por via de alguns departamentos ministeriais, tem concedido microcréditos e ferramentas de trabalho às pessoas com deficiência para que vivam de forma independente.

Porém, estes programas, em seu entender, são insuficientes para a quantidade de pessoas necessitadas que a sua agremiação acolhe. Neste momento, segundo ele, são no total de 57.922, entre ex-militares e deficientes, de âmbito natural que a ANDA assiste de forma directa. “São pessoas com sérias dificuldades e que dependem de tudo um pouco para viverem. Nós, enquanto associação que os representa, nem sempre temos para dar às pessoas. Por isso é que o apoio da sociedade é indispensável para elas continuarem a viver”, frisou Sílvio Etiambulo.

Reconhecimento

De acordo com o presidente da ANDA, grande parte dos deficientes que que existem no país são ex-militares que deram o “litro” para a conquista da paz e da liberdade. No Entanto, muitos foram desmobilizados, pelo que não conseguem viver do sacrifício que consentiram. No entanto, 15 anos depois da paz, Sílvio Etiambulo disse ser necessário que o país reconheça o esforço que estes homens e mulheres desenvolveram para que hoje os angolanos desfrutem da tão almejada liberdade dentro do território nacional. “Esse apoio que estamos a pedir não é só do Estado.

Até as empresas privadas devem ter o sentido de patriotismo, dando oportunidade para que os deficientes trabalhem. É que muitos dos nossos associados até sabem fazer alguma coisa, mas estão abandalhados por falta de oportunidades”, atestou. (O País)

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