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RDC: Bemba admite candidatura mas quer unidade na oposição

O histórico político congolês Jean-Pierre Bemba vai regressar à RD Congo a 01 de Agosto, depois de ter cumprido mais de 10 anos de cárcere por alegado envolvido em crimes de guerra, anunciando a sua disponibilidade para ser candidato às eleições gerais de 23 de Dezembro.

Numa conferência de imprensa realizada na Bélgica, Jean-Pierre Bemba defende que a oposição congolesa deve unir-se em torno de um candidato único que pode não ser ele, desde que o consenso prevaleça.

Bemba surgiu na lista de candidatura possíveis depois de o Tribunal Penal Internacional (TPI) ter decidido encurtar a sua pena de 18 anos de cadeia ao fim de ter cumprido uma década de cárcere devido à ausência de fundamento para a condenação, em 2008, por crimes contra a humanidade e guerra na República Centro-Africana, em 2003, cometido por um grupo militar que o próprio comandava.

Sem descartar a sua própria candidatura, Bemba, que foi, antes da detenção, Vice-presidente do actual Chefe de Estado, Joseph Kabila, pediu nesta conferência de imprensa que os partidos da oposição e a sociedade civil junte as mãos e encontre um candidato consensual.

“os 10 anos que passei detido fizeram-me reflectir e concluir que a união da oposição para encontrar um candidato consensual à Presidência é a melhor solução para a República Democrática do Congo se quisermos efectivamente uma mudança de regime no país”, disse Bemba em Bruxelas na terça-feira.

Para o presidente do MLC, uma das mais importantes forças partidárias da oposição congolense, a par da UDPS de Félix Tshisekedi, admite que esse candidato de consenso pode não ser ele, mas sublinha que o nome a sair desse preconizado consenso entre a oposição deve ser claro para derrotar os partidos que actualmente compõem a Maioria Presidencial (MP), coligação que suporta o actual Presidente Joseph Kabila.

Recorde-se que Kabila está há dois anos no poder para além do tempo permitido pela Constituição e ainda não definiu de forma clara as suas intenções, havendo uma convicção no seio da oposição e da sociedadade civil que pretende encontrar forma de contornar, através de expedientes, a lei e avançar para uma terceira candidatura, apesar de inconstitucional.

“Vou regressar ao país para me encontrar com os outros lideres da oposição de forma a que possamos encontrar uma plataforma de entendimento, porque nós não temos o direito de, se queremos salvar o país e o povo, de nos dividirmos”, afirmou, reafirmando que se o nome a encontrar for outro que não o seu, está totalmente disponível para o apoiar.

Apelando a que sejam feitos todos os esforços para que a violência não volte a ser a regra nos processos eleitorais congoleses, Jean-Pierre Bemba garante que informou as autoridades e a missão da ONU no país, a MONUSCO, do seu regresso a 01 de Agosto.

Garante que volta à RDC “sem qualquer vontadede vingança ou com rancor a quem quer que seja”, Bemba diz ser hoje um homem diferente depois de 10 anos de cadeia, procurando claramente o apaziguamento na RDC.

Bemba muda tudo no processo eleitoral

A informação de que Bemba iria voltar à RDC, normal depois de ter sido libertado pelo TPI, altera totalmente o jogo eleitoral no país, onde se perfilam alguns candidatos de peso à substituição do Presidente Kabila, há dois anos no poder para lá do tempo constitucional.

Félix Tshisekedi, filho do histórico líder da UDPS e antigo adversário de Kabila, Etienne, Moise Katumbi, antigo governador do Katanga e alvo de perseguição pela justiça no seu país de cariz político, são, a par de Bemba, os nomes que mais contam neste jogo eleitoral.

Jean-Pierre Bemba foi candidato derrotado mas não convencido nas eleições de 2001, contra o actual Chefe de Estado, e pode voltar a encontrar o próprio Joseph Kabila nos boletins de voto, porque este ainda não clarificou sem margem para quaisquer duvidas as suas intenções.

Bemba, a ameaça a Kabila

Facto é que o seu partido, o Movimento de Libertação do Congo (MLC) não tem dúvidas que o quer como candidato, que esta é a hora certa para derrotar Kabila e o seu regime.

A primeira reacção do Governo de Joseph Kabila, de quem Bemba é um dos grandes opositores, partiu do seu porta-voz e ministro da Comunicação, Lambert Mende, que disse que não se pronunciava por razões deontológicas, visto que o problema de Bemba não foi com a justiça na RDC mas sim com questões ocorridas na RCA, deixando no ar, no entanto, alguma má disposição com a sua libertação ao afirmar aos jornalistas que não iria dizer se se trata de uma má notícia ou de uma boa notícia.

Também Moise Katumbi, pré-candidato e igualmente opositor a Kabila, apontou a libertação de Jean-Pierre Bemba como um grande momento para a liberdade e justiça, que tem agora uma nova e positiva era na justiça contra “os falsos julgamentos”.

Félix Tshisekedi, líder da UDPS, o maior partido da oposição na RDC, sublinhou igualmente a sua alegria pela libertação de Bemba e admitiu que esse facto poderá abrir uma nova fase na política nacional, com o reforço claro das alternativas ao poder totalitário de Kabila.

A reacção de Kabila, de viva voz, ainda não aconteceu, mas deverá mexer-se contra Bemba porque é claramente mais um problema a ultrapassar na sua corrida à manutenção do poder, que está claramente em curso.

Kabila é candidato, ou não?

O actual Presidente da República Democrática do Congo está constitucionalmente impedido de se candidatar a um 3º mandato, mas os seus adversários acreditam que está mesmo a preparar o terreno para se recandidatar, pondo o gigante Congo, de novo, a um passo do caos e o continente africano a dois de uma enorme dor de cabeça.

Depois de o seu Partido Popular para a Reconstrução e Democracia (PPRD) ter lançado, há semanas, uma campanha com a cara de Kabila anunciando-o como o seu “candidato 100%”, agora surgiu aquilo que é já considerado como a plataforma que assegura a incontornável candidatura de Kabila.

A plataforma recém-criada Frente Comum para o Congo (FCC), denominada como “grande coligação eleitoral”, que deverá substituir a anterior Maioria Presidencial (MP) que Kabila usou como moldura para as suas candidaturas anteriores, apontou Joseph Kabila como figura titular da campanha que está subjacente à sua criação.

Apesar de Kabila ainda não ter dito de viva voz que é candidato, e face ao facto de a Constituição ser peremptória no impedimento de um 3º mandato consecutivo, o seu partido, o PPRD, já tirou as dúvidas ao garantir que não existe outro candidato senão ele.

O início da polémica

Recorde-se que no denominado acordo de São Silvestre, assinado a 31 de Dezembro de 2016, depois de um adiamento das eleições e num ambiente de terror nas ruas de Kinshasa e das principais cidades do país, com dezenas de milhares a protestar contra Kabila e a exigir eleições, com centenas de mortos e milhares de feridos pelo caminho, o Presidente assumia a condição de não ser candidato e de organizar eleições em 2017.

Isso não aconteceu e Kabila reagendou a ida às urnas para 23 de Dezembro deste ano, 2018, sem nunca garantir que não é candidato, deixando apenas os seus mais próximos dizerem que a Constituição não será violada.

Os interesses em jogo são muitos, com milhões em jogo nos muitos negócios que ele e a sua família têm nas principais empresas do país.

Mas, ao mesmo tempo, põe em marcha uma gigantesca operação de promoção da sua candidatura, com outdoors e programas de rádio nas comunidades mais remotas, sendo, agora, a escassos seis meses das eleições – se a data for cumprida -, a máscara caiu e é já claro que Kabila está a preparar a sua recandidatura com vigor e empenho.

Já esta semana, Kabila voltou a marcar o processo com a desmarcação de uma reunião com o Presidente João Lourenço, que estava marcada para Benguela, na segunda-feira.

Com as eleições gerais marcadas para 23 de Dezembro, e com a pressão internacional a apertar, como o demonstra a exigência da ONU e da União Africana para que esclareça as suas intenções, Joseph Kabila decidiu ficar em Kinshasa e não viajar para Angola, onde se esperava uma palavra decisiva sobre o seu futuro político.

Recorde-se que Bruno Tshibala, o primeiro-ministro do Governo de transição que iniciou funções no início de 2017, após a falhada realização das eleições, que deveriam ter tido lugar em Dezembro de 2016, como previa o calendário constitucional, e nas quais Kabila já não poderia participar por razões legais, tinha dito que o Presidente iria clarificar tudo na visita a Angola, após um encontro com o seu homólogo angolano.

Após o anúncio, no fim-de-semana, do encontro no Lobito, como a Presidência congolesa fez passar para a imprensa local, foi a parte angolana, através de fontes citadas na imprensa, que fez saber do cancelamento do encontro.

Este cancelamento, cujas razões oficiais se desconhecem, surge numa altura em que cresce em Kinshasa o perigo de um recrudescer da crise com Kabila a evitar falar sobre as suas intenções no último discurso que proferiu no Parlamento, na quinta-feira, e no qual a oposição local, a sociedade civil congolesa e a comunidade internacional, esperavam uma indicação clara do que pensa fazer o ainda Chefe de Estado da RDC.

Em vez de clarificar, no discurso de quinta-feira, o seu futuro, Kabila optou por atacar os “inimigos” da democracia que querem “destruir o Congo e a sua democracia”. (Novo Jornal Online)

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