- Publicidade-
InicioAngolaSociedadeAbandono e desrespeito aos avôs marcam a terceira idade

Abandono e desrespeito aos avôs marcam a terceira idade

Idosos internados no lar da terceira manifestaram-se hoje, quinta-feira, no Lubango, ?inconformados? por sentirem-se abandonados e rejeitados pelos seus parentes, sobretudo pelos netos, como se nada para eles representassem.

Luanda – A importância da figura do avô é sem dúvidas para a maioria ou talvez para poucos, de alguém que enriquece a educação da família para a construção de uma sociedade melhor, mas o abandono e o desrespeito tem marcado pela negativa esta importante franja da sociedade.

Huíla

Os factos constatados na província Huíla, município do Lubango, onde os idosos internados no lar da terceira idade manifestaram-se “inconformados”, por se sentirem abandonados e rejeitados pelos seus parentes, sobretudo filhos e netos, demonstra e bem a perca das raízes que norteiam os povos africanos, onde o avô é tido como uma biblioteca.

Ao todo são 51 “velhos” que foram unânimes em manifestar desolação, face ao desinteresse da família, sobretudo de netos que dizem ter “amado muito”, alguns dos quais há mais de cinco anos sem visita.

Em declarações à Angop, por ocasião do Dia Internacional do Avô que hoje (26 de Julho) se assinala, António Calei, de 69 anos, diz que está no lar há mais de sete anos e disse que está confortável pelas condições que lhe foram “impostas”, mas em nada vale sem a presença dos seus filhos que nunca o procuraram, nem os netos, pelo que sente-se um “fardo”.

“Eu nunca recebi nenhuma visita de algum dos meus familiares, nem dos meus filhos e amigos de infância, e isso me apoquenta muito”, desabafou.

Ao reagir sobre o assunto, a directora provincial da Acção Social, Família e Promoção da Mulher, na Huila, Catarina Manuel Sebastião, lamentou a atitude de alguns familiares que abandonam os seus pais e avôs na rua, sem condições nenhumas para viverem.

Reforçou apelo às famílias a valorizarem mais a pessoas idosa, por formas a restituir-lhes a auto-estima e a dignidade humana merecida.

Cunene

Já os cidadãos de Ondjiva, província do Cunene, que também saudaram o dia internacional, consideraram que a figura do avô ou da avó é crucial na educação da família no resgate dos valores morais, cívicos e patrióticos.

Nos arredores do município, a propósito da data assinalado hoje quinta-feira (26 de Julho), os munícipes foram unânimes em dizer que os mais velhos são bibliotecas vivas, com conhecimentos e acervo histórico para a sociedade.

Ao falar à Angop, o professor Cláudio Neto sublinhou que esta data cobre-se de grande importância por aquilo que caracteriza a figura e relevância na sociedade de um ancião.

Os jovens e adultos devem aproveitar a dádiva de ter uma avó e dar-lhes mais dignidade, respeito, amor e carinho, disse.

Já a funcionária pública, Maria da Graça, disse ser um dia de reflexão para toda a sociedade, tendo em conta a importância do avô no seio das novas gerações, que dá direito de se saber da linhagem da genealogia.

Sublinhou que os mais velhos devem ser sempre considerados pelo conhecimento e experiência que dispõe fruto dos longos anos de vivencia.

O Dia Mundial dos Avós (também conhecido por Dia da Vovó) é celebrado em 26 de Julho em homenagem à Santa Ana e São Joaquim, os pais da Virgem Maria e, portanto, avós de Jesus Cristo, considerados os padroeiros de todos os avós pela Igreja Católica.

No dia 26 de Julho de 1584, o Papa Gregório VIII, canonizou os avós de Jesus Cristo, por isso a escolha desta data para a celebração.

Ao todo são 51 “velhos” que foram unânimes em manifestar desolação, face ao desinteresse da família, sobretudo de netos que dizem ter “amado muito”, alguns dos quais há mais de cinco anos sem visita.

Falando à Angop, por ocasião do Dia Internacional do Avô (26 de Julho), António Calei, de 69 anos, está no lar há mais de sete anos e disse que está confortável pelas condições que lhe foram “impostas”, mas em nada vale sem a presença dos seus filhos que nunca o procuraram, nem os netos, pelo que sente-se um “fardo”.

“Eu nunca recebi nenhuma visita de algum dos meus familiares, nem dos meus filhos e amigos de infância, e isso me apoquenta muito”, desabafou.

Solicitou ainda um kit de sapataria para reparação de sapatos e poder contribuir para o seu auto-sustento, uma vez que diz ter condições físicas para exercer esse ofício.

Florentino Chiwana, de 58 primaveras, afirmou que foi encontrado na rua por ter sido abandonado pelos seus três filhos, cujas razões desconhece até ao momento.

Apesar de não revelar os seus nomes, tem conhecimento que dois destes filhos servem às Forças Armadas na província do Zaire, Huambo e o outro não sabe aonde está. “Tenho muitas saudades deles” disse.

Outra anciã entrevista é Teresa Ndjala, 77 anos, proveniente da Cacula, ali bem próximo do Lubango, afirmou que a falta de condições sociais básicas obrigou-o a internar no lar há mais de 15 anos, mas que sente igualmente a falta dos seus filhos, dos seus ntos, que não os vê há mais de nove anos.

Amélia Camana, de 53cacimbos, internada há seis meses no Lar da terceira idade, alegou ter sido abandonada pelos seus familiares como desculpa por sofrer, na altura, de perturbações mentais, agora curada disse que sente a falta deles.

“Tenho cinco filhos, três dos quais já morreram, outros dois gémeos estão internados na aldeia SOS (Lubango), mas que não querem reconhecer-me como mãe biológica e também acusam-me de louca, e isso está a influenciar negativamente em não por tê-los em minhas mãos”, disse.

Augusta Matias, de 76 anos, revelou que veio do município da Cacula, que dista 87 quilómetros a norte do Lubango, e foi abandonada pelo se único filho, a quem acusa de ter surripiado os seus bens, tendo sido recolhida pelos activistas sociais do Lubango.

Apesar desta situação, manifestou o interesse de regressar à sua localidade de origem, uma vez sentir-se mais saudável, mas não tem apoio para cumprir a sua vontade.

Dos internados no Lar da 3ª idade, a mais nova tem 41 anos (rejeitada pelos seus familiares) e a mais velha, 103 e é proveniente da comunidade San, vulgo “Khoisan”.

Ao reagir sobre o assunto, a directora provincial da Acção Social, Família e Promoção da Mulher, na Huila, Catarina Manuel Sebastião, lamentou a atitude de alguns familiares que abandonam os seus pais e avôs na rua, sem condições nenhumas para viverem.

Reforçou apelo às famílias a valorizarem mais a pessoas idosa, por formas a restituir-lhes a auto-estima e a dignidade humana merecida.

“Os idosos já não ocupam o lugar que detinham, tanto no seio da família como da sociedade, pois hoje os filhos já não têm a mesma predisposição para cuidarem dos idosos, como antigamente”, disse.

A responsável considerou que para a inversão do quadro sombrio, é necessário que todos os actores encontrem respostas para as questões ligadas ao envelhecimento e a velhice, no sentido da edificação de uma sociedade cada vez mais justa e inclusiva, onde as pessoas se sintam valorizadas na sua razão de ser.

Dados estatísticos actuais da representação local da Acção Social, Família e Igualdade de Género, tem controlado, 21.225 idosos, de ambos os sexos, dos quais dois mil e 871 vivem sob dependência desta instituição, que lhes presta assistência através dos centros de apoio e dos lares de terceira idade nos municípios do Lubango, Jamba, Matala e Quipungo.

O dia dos Avôs é comemorado em 26 de Julho, desde 1879, uma iniciativa do papa Leão XIII, tendo sido esta data escolhida em razão da comemoração do dia de Santa Ana e São Joaqui, pais de Maria e avós de Jesus Cristo. (Angop)

- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -

Notícias relacionadas

- Publicidade -

Deixe um comentário

Por favor insira seu comentário!
Digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.