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74 mortos e 187 feridos. O “Inferno negro” na Grécia, a fuga para o mar e uma vila que “desapareceu”

Entre os 187 feridos estão pelo menos 23 crianças. Muitas vítimas ficaram encurraladas numa estância balnear perto de Atenas. Foram apanhadas pelas chamas em casa ou nos seus carros.

Os fogos que alastram na Grécia desde segunda-feira, circundando a capital, Atenas, já provocaram pelo menos 74 mortes e 187 feridos, alguns dos quais em estado crítico e pelo menos 23 dos quais crianças, avançou a agência Reuters e a France-Presse, através de fonte dos bombeiros. O número aumentou depois de 26 vítimas mortais terem sido encontradas esta terça-feira, entre duas casas localizadas em Mati, a este de Atenas, e depois de um porta-voz das autoridades gregas ter confirmado a uma televisão local que o número de vítimas mortais supera as seis dezenas. O primeiro-ministro grego Alexis Tsipras já declarou um luto nacional de três dias no país: “O país está a passar por uma tragédia indescritível. Hoje, a Grécia está de luto e vamos declarar três dias de luto nacional, em memória das vítimas”, afirmou o PM grego.

“Infelizmente encontrámos 26 corpos carbonizados”, confirmou o presidente da Cruz Vermelha grega, Nikos Economopoulos, citado pelo jornal de Atenas Kathimerini, a propósito das 26 vítimas mortais encontradas esta terça-feira. Muitas das vítimas ficaram encurraladas na estância balnear de Mati, a 40 quilómetros da capital, e foram apanhadas pelas chamas nas suas casas e nos seus carros.

Fui informado por um elemento das operações de resgate de uma fotografia chocante que mostrava 26 pessoas num campo situado a 30 metros da praia” de Mati, apontou Nikos Economopoulous à televisão grega Skai, esta terça-feira. “Tentaram encontrar uma rota de fuga mas infelizmente estas pessoas e as suas crianças não conseguiram encontrá-la a tempo”, disse ainda o responsável.

Teme-se que o número de mortes seja ainda maior, uma vez que os serviços de emergência continuam a receber telefonemas a alertar para o desaparecimento de pessoas. Segundo o The Guardian, as 26 vítimas mortais encontradas esta segunda-feira estavam “agarradas umas às outras, de forma firme”. O El País usa a expressão “abraçadas”. De acordo com uma agência de viagens polaca, citada pela Sky News, uma mulher polaca e o seu filho estavam entre um grupo de dez pessoas que se afogou quando o barco em que a polícia marítima grega os colocou para fugirem de Mati naufragou.

Os incêndios devastaram casas, destruíram viaturas e obrigaram a diversas evacuações, com as autoridades a declararem o estado de emergência e a pedirem ajuda europeia. Os principais focos de incêndio encontram-se na cidade costeira de Mati, em Kineta e em Nea Makri. Desde que os incêndios começaram a alastrar, centenas de crianças foram já evacuadas de campos de férias em Mati. As chamas levaram a que muitos turistas e também cidadãos gregos fugissem do fogo para as praias a leste de Atenas.

O pedido formal de ajuda à União Europeia para envio de meios foi endereçado ao final da tarde de segunda-feira. O governo grego pediu helicópteros e meios humanos aos restantes países. Chipre, Espanha, Alemanha, Itália, Polónia, França e Portugal já acederam aos pedidos de ajuda. Ao todo, já foram resgatadas perto de 700 pessoas de refúgios que encontraram para resistir aos incêndios. (Observador)

por Gonçalo Correia

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