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Mulheres africanas não vão à escola porque gastam 40 mil milhões de horas por ano para ir buscar água

O acesso à água potável é uma questão de género, defende a liberiana Saran Kaba Jones. As mulheres percorrem longas distâncias para ir buscar água, tarefa que compete só a elas, o que faz com que não tenham tempo para ir à escola.

Aquando do regresso ao seu país natal, 20 anos depois de fugir à guerra civil que destruiu a Libéria, a fundadora e presidente da FACE África, uma organização que promove o desenvolvimento de infraestruturas de água e saneamento em zonas rurais da África Subsaariana, abraçou a causa da água.

“Sou apaixonada pela educação e achei que educar as crianças seria uma forma de as ajudar a ter um futuro”, disse em entrevista a agência Lusa, a activista da água que esteve na semana passada em Lisboa para participar no 1.º EurAfrican Forum.

Mas as barreiras à educação eram mais profundas do que pareciam. Saran percebeu que frequentar a escola também dependia do acesso à água potável: as crianças faltavam às aulas porque adoeciam com doenças relacionadas com a falta de qualidade da água, porque as escolas não tinham instalações adequadas para as crianças, sobretudo tratando-se de raparigas na puberdade, ou porque as raparigas tinham de percorrer longas distâncias para ir recolher água para as suas famílias.

“O transporte de água é uma tarefa quase exclusivamente feminina em África. As mulheres e as raparigas gastam 40 mil milhões de horas todos os anos, percorrendo longas distâncias para ir buscar água. Por isso muitas raparigas não vão à escola. Estão ocupadas com esta e outras tarefas domésticas e não conseguem ser produtivas”, notou.

Saran repete o número: são 40 mil milhões de horas. Tantas, como as que gastam o total de trabalhadores franceses num ano, segundo as estimativas das Nações Unidas, que fizeram as contas para mostrar de que forma esta tarefa afecta a vida das mulheres africanas.

“A água está relacionada com todas estas áreas, seja a saúde, a produtividade, o desenvolvimento económico, a educação ou a igualdade de género. Este é um problema feminino, por isso, quando se resolve o problema da água, estamos também a dar directamente mais poder às mulheres”, acrescentou.

E a água pode ser, acredita Saran, o catalisador destas mudanças: “Quando se instala um sistema de água numa aldeia, a água passa a estar mais perto. É mais tempo que as mulheres e as raparigas têm disponível para ir a escola e estudar, dedicarem-se à agricultura e ao comércio ou outras actividades produtivas”.
FACE África, a organização que promove o desenvolvimento de infraestruturas de água

O FACE África nasceu em 2008, como um fundo educacional, mas rapidamente evoluiu para os programas WASH (Água, Saneamento e Higiene), contando actualmente com 50 projectos comunitários que beneficiam cerca de 25.000 pessoas.

Na Libéria, que “passou por uma guerra civil que destruiu todo o tecido social, infraestruturas, energia, estradas, cuidados de saúde”, a FACE África é uma das organizações da sociedade civil que procuram ajudar a resolver os múltiplos desafios a que o Governo que “não consegue responder”, disse a responsável da organização.

A FACE África funciona de forma independente e encara as comunidades locais como a principal parceria.”Temos de garantir que são parte do processo: ensinamos a construir o sistema e a mantê-lo para que quando ficar pronto o sintam como seu e saibam fazer alguma reparação, se for necessária”, adiantou.

Na base está um conceito simples: construir infraestruturas de captação e tratamento de água de baixo custo e tecnologia pouco sofisticada para que as próprias comunidades sejam responsáveis pela sua construção e manutenção.

No fundo, basta escavar um poço, equipá-lo com bombas de água para bombear a água subterrânea para a superfície e purificá-la com pastilhas de cloro para que possa ser usada com segurança, resume Saran.

Para já, a FACE África está a actuar apenas na Libéria e na Nigéria, mas o objectivo é alcançar toda a África, replicando o modelo noutros países, incluindo os PALOP.

Saran adiantou que recebem todo o tipo de pedidos no seu portal da Internet, de vários países africanos, e admitiu que os recursos limitados não permitem acorrer imediatamente a todas as solicitações. “É preciso angariar fundos e garantir apoios. É difícil escolher quem vamos ajudar primeiro, focamo-nos geralmente nas pequenas comunidades e damos prioridade aos projectos de acordo com as parcerias que conseguimos criar a nível local”, explicou. (Sic Notícias)
por Lusa

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