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Reunificação familiar nos EUA: algumas crianças não reconhecem os pais

Algumas das famílias imigrantes separadas na fronteira dos Estados Unidos começaram a ser reunidas na terça-feira. As crianças apresentam traumas e algumas não reconhecem os pais.

O pesadelo parece ter acabado para alguns pais e mães que já seguram nos braços os filhos que lhes foram retirados enquanto tentavam atravessar ilegalmente a fronteira Estados Unidos-México.

Três semanas depois de Trump ter assinado uma ordem executiva que acabava com a separação das famílias migrantes, algumas crianças já começaram a ser entregues aos respectivos pais desde a passada terça-feira.

O reencontro, tão ansiado pelos pais, não foi, para muitos, como idealizavam. Algumas crianças, depois de terem passado semanas ou meses nos centros de detenção separadas das famílias, ficaram com traumas. Algumas não reconhecem os pais.

A administração de Trump tem sido criticada por não estar a gerir o processo de reunificação de famílias de forma organizada. Vários especialistas em saúde já tinham alertado para os riscos psicológicos que o processo de reencontro poderia causar às crianças.

“As pessoas têm estado focadas nas questões técnicas deste processo e na gravidade de as crianças ficarem em gaiolas. No que não estão a pensar é no trauma que se está a infligir às pessoas”, afirma Jennifer Rodriguez, diretora executiva de um centro de advocacia sediado em São Francisco, focado na protecção dos direitos das crianças.
Danos psicológicos podem ser irreversíveis
A separação de uma criança da família é um processo traumático. A memória que tem dos pais pode desaparecer rapidamente da mente de uma criança, principalmente das mais pequenas.

Profissionais de saúde alertam que experiências traumáticas como estas, pelas quais as crianças migrantes passaram, provocam danos psicológicos que podem perdurar para toda a vida.

“Muitas destas crianças vão pensar: ‘Há algo de errado comigo, por isso é que os meus pais me abandonaram’”, explica Brenda Jones Harden, professora na Universidade de Maryland.

Especialistas em saúde mental alertam os pais que alguns encontros não vão ser fáceis.

“Provavelmente será resolvido com o tempo, mas é importante que os pais tenham consciência que os seus filhos podem não correr para os seus braços e ficarem imediatamente tranquilizados”, ressalva Mary Dozier, professora universitária de psicologia nos EUA.
“Ele não me reconheceu”
De facto, algumas crianças não correram para os braços dos pais. Algumas nem sequer os reconheceram.

Mirce Alba Lopez conta ao The New York Times que no momento do reencontro, Ederson, o filho de três anos, não a reconheceu. “A minha alegria transformou-se temporariamente em tristeza”.

Para Milka Pablo, o reencontro com a filha também não ocorreu como desejava. Igualmente com três anos de idade, Darly estava no colo da mãe mas não parava de gritar e de tentar libertar-se dos seus braços.

“Eu quero a Miss, eu quero a Miss”, gritava Darly enquanto chorava e chamava pela trabalhadora social de um dos centros de detenção com quem viveu nos últimos tempos.

“Onde é que estavas, pai? Senti a tua falta”. Foram as primeiras palavras de uma criança de três anos ao reencontrar-se com o pai depois de terem estado 40 dias separados.

Abril Valdes, advogada de direitos de imigração, revela à CNN que o tempo que as crianças estiveram separadas da família as afectou gravemente. Valdes afirma que uma das crianças que estava à espera de se reunir com os pais, na passada terça-feira, “é apenas envólucro exterior de si própria”.

“Ele não tem falado, não é a criança que costumava ser”, acrescenta.
Reunidas com os pais 57 crianças
Segundo a administração Trump, 57 das 103 crianças menores de cinco anos foram reunidas com as suas famílias até ao momento.

O governo dos EUA não cumpriu, no entanto, com os prazos estipulados pelas autoridades judiciais. O juiz Dana Sabraw, do Tribunal de San Diego, estipulou que as crianças com idade inferior a cinco anos deveriam ser reunidas com as respectivas famílias até a passada terça-feira, 10 de Junho.

O governo federal defende a sua posição, afirmando que o processo é demorado porque precisam de realizar testes de ADN que confirmem as relações de parentesco. Em causa está a análise dos antecedentes e aptidões dos pais.

O juiz estipulou um prazo mais alargado, até 26 de Junho, para os restantes processos relativos às crianças maiores de 10 anos. Até esta data, a Administração de Trump tem a obrigação de reunir mais de duas mil crianças com as suas famílias.

Dana Sabraw sublinhou que “estes são prazos firmes” e não avançou com o pedido do governo federal para prolongar os prazos. (RTP)

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