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Trump pede que membros da NATO gastem em Defesa o dobro daquilo que ainda não gastam

No primeiro dia da cimeira da NATO, Donald Turmp, Presidente dos Estados Unidos, apelidou os restantes membros da Aliança de “delinquentes” por não contribuírem o suficiente para o seu orçamento. E pediu que todos invistam 4% do PIB, quando actualmente a maioria dos membros nem sequer atinge os 2%.

Donald Trump, Presidente dos Estados Unidos, tinha começado o seu primeiro dia na cimeira da NATO tecendo duras críticas à Alemanha. Primeiro, por não investir suficientemente na área da Defesa, uma queixa antiga de Trump em relação aos membros da Aliança. Depois, por estar “totalmente controlada pela Rússia” devido à dependência energética do país em relação ao gás natural russo. “Estado cativo” foi a expressão de Trump. No fim das reuniões, o Presidente lançou mais uma bomba exigindo que todos os membros da aliança militar aumentem para o dobro os seus gastos com a Defesa, ou seja, dos atuais 2% do PIB para 4%, número que nem os próprios Estados Unidos canalizam, actualmente, para a área.

Portugal destina 1,32% do seu Produto Interno Bruto para a Defesa apesar de António Costa ter prometido, também esta quarta-feira, rever esse número em alta (para 1,98%) “com ajuda europeia”. Mas há quem gaste ainda menos. A Alemanha tem um orçamento para a Defesa de 1,22% do seu PIB enquanto Espanha gasta apenas 0,92%. Os Estados Unidos estão próximos da meta que o seu Presidente traçou: 3,58% do PIB é destinado à Defesa.

A chanceler alemã não deixou passar em branco as críticas de Trump. Angela Merkel cresceu no Leste da Alemanha e disse saber, “em primeira mão”, o que é viver num “Estado cativo” e que “esse não é o caso actual da Alemanha”.

O secretário-geral da NATO voltou esta quarta-feira, o primeiro dia da cimeira da Aliança Atlântica, a desvalorizar os desentendimentos entre os Aliados e Donald Trump, preferindo destacar o consenso sobre a necessidade de aumentar o investimento em Defesa.

“Acabámos uma reunião substancial da NATO. Tivemos discussões, temos desacordos, mas, mais importante, tomámos decisões que vão tornar-nos mais fortes. Na história da NATO, tivemos muitos desentendimentos que conseguimos superar, porque, no final do dia, concordamos que a Europa e a América do Norte são mais fortes juntas”, começou por dizer Jens Stoltenberg.

Na conferência de imprensa que se seguiu à conclusão da reunião do Conselho do Atlântico Norte dos chefes de Estado e de Governo da NATO, o secretário-geral da organização revelou que os Aliados concordaram que é preciso dedicar mais dinheiro à Defesa, e aumentar as contribuições para missões da Aliança no terreno.

“As boas noticiais é que estamos a fazer progressos. Todos os aliados estão a aumentar o investimento em defesa. No último ano, registou-se o maior investimento em Defesa desde o fim da ‘Guerra Fria'”, acentuou, desvalorizando as declarações do Presidente norte-americano.

Donald Trump tem acusado os outros Aliados de “não pagarem aquilo que deveriam” e de “deverem uma tremenda quantia de dinheiro aos Estados Unidos”, por não consagrarem 2% do Produto Interno Bruto (PIB) a despesas em Defesa, um compromisso assumido na cimeira do País de Gales em 2014 para um prazo de dez anos.

“Quando foi alcançado o acordo em 2014, apenas três aliados gastavam 2% em Defesa”, recordou. Indicando que os Aliados aprovaram a adaptação da estrutura de comandos da NATO, a estratégia da luta contra o terrorismo e as ameaças cibernéticas, assim como a iniciativa de prontidão, que visa reduzir de 180 para 30 dias o tempo de resposta das forças norte-americanas consideradas indispensáveis em caso de guerra, o político norueguês informou ainda que a Rússia foi um dos outros temas abordados.

“Todos os Aliados defendem claramente que não reconhecemos e não iremos reconhecer a anexação ilegal da Crimeia. Essa é a posição comum. A anexação ilegal da Crimeia é uma das principais razões pelas quais aumentámos a nossa presença nos Balcãs e os nossos gastos em Defesa”, frisou.

António Costa representa Portugal na cimeira de chefes de Estado e de Governo da NATO que decorre entre hoje e quinta-feira em Bruxelas, tendo viajado acompanhado pelos ministros dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, e da Defesa, José Alberto Azeredo Lopes. (Expresso)
por Lusa

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