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Mais de 40 abortos provocados são registados no Lubango

Mais de 40 casos de abortos provocados por mulheres entre os 15 a 26 anos de idade são registados semanalmente na Maternidade Central do Lubango “Irene Neto”, alguns dos quais acabam em morte, informou a directora-clínica da unidade, Juliana Kinanga da Encarnação.

Em entrevista segunda-feira à Angop, nesta cidade, a fonte não avançou números exactos de mortes que resultam daí, mas disse que o aborto provocado é reprovado a todos níveis porque é proibido por lei, mas que os números são preocupantes, pois é um acto que acarreta consigo várias sequelas, chegando mesmo a provocar infertilidade ou até a morte.

Fez saber que os casos que diariamente a maternidade recebe estão ligados a tentativa de aborto por uso de fármacos, ingestão de cacos de garrafa triturados, intoxicação com medicamentos tradicionais e a introdução de objectos estranhos no canal vaginal, sempre com recurso de indivíduos não capacitados.

Segundo disse, as pessoas que procedem deste jeito estão sujeitas a várias complicações, como hiper-glicemia, escorrimento, até mesmo serem submetidas a raspagem para limpeza do útero, mas há muitas pacientes que não resistem e acabam morrendo em consequência da hemorragia

Informou que o hospital não está autorizado a realizar abortos voluntários, mas quando aparecem pacientes com complicações por tentativa desta prática, são obrigados a concluir o trabalho, por estar em causa uma vida.

Segundo informou, o hospital tem realizado diariamente palestras para redução de casos, que passa pelo programa de sensibilização às adolescentes, que conta já com mais de 150 associados para educação à saúde, mesmo assim os números ainda são elevados.

Por outra apontou com certa preocupação o registo de muitas gestantes que não dão continuidade às consultas pré-natais, deste modo ficam sem saber as causas das possíveis complicações e patologias que o feto pode ter.

Fez saber que uma das principais consequências do registo de nados mortos e de óbitos fetais passa precisamente na fraca adesão das gestantes às consultas, por isso alertou as mulheres no sentido de encararem com maior responsabilidade a gravidez.

A maternidade Irene Neto realiza em média diária 60 partos por dia, 450 consultas semanais e conta com mais de 300 técnicos, entre expatriados e nacionais, número que segundo a directora clínica é insuficiente para atender a demanda. (Angop)

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