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Fundo de Desenvolvimento do Café sem recursos

CAFÉ (DR)

O valor atribuído ao Fundo de Desenvolvimento do Café de Angola (FDCA), estabelecido pelo Governo nos anos 80, precisa de ser revisto, com vista ao apoio da produção nacional e o aumento das exportações.

Fixado em menos de 300 milhões de kwanzas, anualmente, no Orçamento Geral do Estado (OGE), este valor não é cabimentado na sua totalidade, tendo em conta o contexto económico que Angola regista.

No quadro das dotações orçamentais serem variáveis e, por vezes, ajustadas em função das disponibilidades do OGE, outras alternativas “fora da caixa” estão em busca, com o propósito de se apoiar os produtores nacionais.

A presidente do Conselho de Administração do referido fundo, Sara Bravo, referiu, na noite de sexta-feira, que uma das estratégias encontradas foi a partilha, com a Câmara de Comércio EUA-Angola (USACC), das oportunidades e propostas para o relançamento do sector do café no país, com a promoção de parcerias entre produtores nacionais e investidores privados.

Falando à margem da 63ª Edição do First Friday Club, organizado pela Câmara de Comércio EUA-Angola, Sara Bravo afirmou ser “muito difícil” fazer a promoção da produção do café, sem fundos para o efeito.

“Com escassos recursos, vamos fazendo alguma promoção, mas reconhecemos que não é suficiente para a necessidade que se exige”, admitiu.

Segundo a responsável, o valor de produção do café é de sete mil 500 toneladas ano, uma quantidade considerada muito baixa, se comparada com a produção dos anos anteriores a independência, que chegou a fixar-se nas 240 mil toneladas/ano.

Com a actual produção, a contribuição da arrecadação de receitas com a produção do café, no OGE, é considerada “muito ínfima”, tendo uma participação de menos de um milhão de dólares norte-americanos.

O director Nacional do Café (INCA), João Ferreira, disse recentemente, no município do Porto Amboim, que para superar os problemas que os cafeicultores enfrentam a nível do país, é preciso, para os próximos cinco anos, pelo menos 27 biliões de kwanzas.

No país, o quilograma de café mabuba é comercializado a 150 a 200 kwanzas e café comercial entre 350 a 400 kwanzas.

O sector enfrenta vários desafios, entre os quais, a falta de insumos, baixo fornecimento de mudas, instrumentos de trabalho de qualidade, pouca mecanização, instrumentos de irrigação, adubos e defensivos a própria produção, infra-estruturas, máquinas de descasque de café, entre outros.

Com as tradicionais áreas de maior produção no país, Uíge e Cuanza Sul, a direcção do Fundo de Desenvolvimento do Café de Angola (FCDA), adstrito ao Ministério da Agricultura e Floresta, procura por novas áreas de produção.

“O principal objectivo hoje é relançar a produção de café no país, com a finalidade de, gradualmente, atingirmos a capacidade produtiva real do país e obter maior produção de café comercial que permita contribuir para o desenvolvimento económico e social de Angola”, sublinhou Sara Bravo.

Não obstante as dificuldades, o café angolano, com a suas mais variadas marcas, como gabela, Cazengo, delta Angola, bela negro, ginga, entre outros, segue para a Espanha, Alemanha, Estados Unidos da América, Rússia, entre outras regiões.

O Fundo de Desenvolvimento do Café de Angola tem a atribuição de fomentar os projectos de desenvolvimento das actividades de produção, preparação, transporte, armazenamento e comercialização do café. (Angop)

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